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Azul de outubro [Mariana Ianelli]

outubro 7, 2017

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Outubro é uma paleta de azuis. Outubro tem santos que fazem uma criança sorrir, São Francisco de Assis no meio dos bichos, Santa Teresinha com seu rosto puro. O azul mais calmo que já vi foi num sábado de feriado nacional, dia de Nossa Senhora Aparecida. Nesse dia minha avó se levantou, foi para o […]

Carta para a amiga [Mariana Ianelli]

setembro 23, 2017

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Quanto tempo faz? Já nem sei mais. Será possível que a gente se afeiçoe a pensar no outro sem que o outro desconfie? Ou será que toda vez que a gente expede um minúsculo carinho telepático o outro é levado por alguma sinapse amorosa a também pensar na gente? Imagino que isso também aconteça com […]

Sobre trens e gaivotas [Mariana Ianelli]

setembro 9, 2017

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Para Ana Claudia Quintana Arantes Plataforma lotada. Cada um ali, se fosse ouvido, teria um livro extraordinário para contar. Era isso que fazia uma mulher, no caos vigiado da guerra, enquanto chegavam as listas das convocatórias e partiam os trens. Ouvia as vidas de cada um, de onde vinham, o que faziam antes de desembocarem […]

Sobre caminhos e poemas [Mariana Ianelli]

agosto 26, 2017

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João Cabral não gostava de poemas bem calçados. O poeta das admiráveis asperezas gostava de ruas duras de percorrer, poemas de fazer pensar suas pedras difíceis. Mas, além do chão, quantas outras coisas fazem um caminho, alguém poderia pensar. Quantas coisas concretas além de pedras concretas. Alguém poderia contar dos poemas por onde passou, e, […]

Crônica encomendada [Mariana Ianelli]

agosto 12, 2017

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Esta é para os ariscos, tímidos, enrustidos, impopulares, lacônicos, ensombrecidos, bichos-do-mato. Para todos os que foram treinados a amaciar as tintas na secreta cozinha do artífice, treinados a amaciar as tintas para assim as tornar veludosas, secas de brilho, opacas. Para os que ainda não bateram o próprio recorde de apneia nas funduras do silêncio, […]

Primeiros tempos [Mariana Ianelli]

julho 29, 2017

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Gosto daquela velha olaria com suas altas janelas rasgadas para o céu num quadro de 1947 de meu avô. Gosto dos primeiros tempos de um artista, quando tudo nele ainda é nascente como no país da infância. Aquelas pinceladas sólidas quase em relevo. Aquele primeiro tatear de formas. Dezenas de estudos do corpo feminino como […]

A incrivel epopeia de um erro [Mariana Ianelli]

julho 15, 2017

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Começou singelo, fácil de ser reparado, no meio de um esboço. Não planejava peregrinar por aí sem ser visto, ao contrário: exibia-se bem na cara da escritora. Um erro gordo, de concordância, sem margem para ambiguidades. E assim mesmo, grande, gordo, passou de um esboço à página de uma revista sem ser barrado. Não imaginava […]