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Salve-se quem puder [Mariana Ianelli]

maio 30, 2020

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Salvem-se os bichos quando vierem as mãos e as varas, os pés e as travas que eles já conhecem. Os bichos das matas, dos mares, dos ares, os felizes por enquanto, por engano. Quando acordarem do sonho de restituição de suas terras, salvem-se quantos puderem. Salvem-se os suicidados da sociedade, como o louco que passa […]

Quantos já não avisaram? [Mariana Ianelli]

maio 16, 2020

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Uma pequena fábula conta que um jovem prisioneiro na Alemanha voltou a Bonn, poucos anos após a guerra, para se vingar com a vista dos escombros. Mas eis que, no fundo de uma rua, surge uma banda tocando uma marcha militar e o jovem começa a chorar. A fábula é do século passado, tem mais […]

Estamos esperando o quê? [Mariana Ianelli]

maio 2, 2020

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O estado do mundo parece agora constrangedoramente bíblico, de Holofernes a Herodes, do desmazelo de Jó à fuga de Ló (e suas mulheres sem nome), do dilúvio à Besta do apocalipse. E a situação do Brasil está tão louca e desgovernada que, se extraterrestres ou demônios já estiverem entre nós, não será uma notícia particularmente […]

Homo strepitans [Mariana Ianelli]

abril 18, 2020

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E por acaso ele se cala? Por acaso considera o excepcional desses dias a ponto de conter sua natureza estrepitosa? Considera nada, cala-se nada. Veja os da prefeitura, mal o sol nasce, pondo uma serra elétrica para rasgar o ar da manhã bem debaixo das nossas janelas. O vizinho fazendo um prédio inteiro de gente […]

A peste e o monstro [Mariana Ianelli]

abril 4, 2020

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Vou esconder da minha filha a guerra desses tempos? A tensão no ar, a aflição, as incertezas? Não escondo. Só adianto o que amanhã ela descobrirá por conta própria. Nem por isso tiro seu sorriso. Temos vilões mandando no país, minha filha, e um monstro que ama a morte das florestas, dos índios, dos bichos, […]

Em quarentena [Mariana Ianelli]

março 21, 2020

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Temos visto de tudo nesses tempos de peste à solta. Gente sendo solidária à força. Gente doente só de se ver tolhida em suas vontades e vantagens. Também uns santos na linha de frente socorrendo os esquecidos pelas ruas. E ainda os consortes da peste, a postos para recrudescer o surto, como aquele assassino do […]

A um livro esquecido na estante [Mariana Ianelli]

março 7, 2020

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Não se desespere, é assim mesmo. Veja que liberdade tão estranha e sem limites. Ninguém para vasculhar entre suas páginas à procura disto ou daquilo. Ninguém vindo se servir de você para dar de comer a interesses próprios e alheios. Veja que agora não é mais aquele hiato de vaga distração do leitor que guarda […]