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De António Lobo Antunes para Maria José [Mariana Ianelli]

dezembro 2, 2017

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Num dia de abril, o segundo-tenente escreveu para sua mulher uma carta diferente de todas as outras, anteriores e futuras. Nenhuma notícia do calor terrível de Angola, nada sobre os amputados de guerra ou noites mal dormidas. Nada sobre chuvas estrondosas, helicópteros, nuvens de mosquitos, bombardeios, emboscadas ou falta de cigarros e livros. Naquele dia […]

Entre coisas que doem [Mariana Ianelli]

novembro 18, 2017

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Dói ler Artaud implorando por uma escova de dentes. Dói assistir a essa morte pública, antiestética, ruidosa. Quando é que um artista se converte num louco de hospício para os outros? Até que ponto um poeta maldito é a prata das vanguardas e a partir de onde ele começa a realmente incomodar com seus clarões […]

No meio do caminho desta vida [Mariana Ianelli]

novembro 4, 2017

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Olha aí a selva no meio do caminho, Mariana. Um pote com pinceis escalvados de uso, uma ampulheta com bolinhas de mercúrio, um pequeno condor boliviano. Todas essas coisas de memória toldando as lombadas dos livros. Um relógio de sol, um lobo-guará de pelúcia, um carrossel de brinquedo que algum dia foi enfeite no pinheiro […]

O amante da mulher de um quadro [Mariana Ianelli]

outubro 21, 2017

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Paris, 1948. Robert Doisneau chega à galeria Romi e lá de dentro posiciona sua câmera para a rua. O dia promete ser cheio de personagens. A isca é aquele quadro na vitrine pelo qual ninguém passa sem uma reação imediata. Doisneau vai pescando as expressões que duram um instante. É a mulher escandalizada com o […]

Azul de outubro [Mariana Ianelli]

outubro 7, 2017

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Outubro é uma paleta de azuis. Outubro tem santos que fazem uma criança sorrir, São Francisco de Assis no meio dos bichos, Santa Teresinha com seu rosto puro. O azul mais calmo que já vi foi num sábado de feriado nacional, dia de Nossa Senhora Aparecida. Nesse dia minha avó se levantou, foi para o […]

Carta para a amiga [Mariana Ianelli]

setembro 23, 2017

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Quanto tempo faz? Já nem sei mais. Será possível que a gente se afeiçoe a pensar no outro sem que o outro desconfie? Ou será que toda vez que a gente expede um minúsculo carinho telepático o outro é levado por alguma sinapse amorosa a também pensar na gente? Imagino que isso também aconteça com […]

Sobre trens e gaivotas [Mariana Ianelli]

setembro 9, 2017

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Para Ana Claudia Quintana Arantes Plataforma lotada. Cada um ali, se fosse ouvido, teria um livro extraordinário para contar. Era isso que fazia uma mulher, no caos vigiado da guerra, enquanto chegavam as listas das convocatórias e partiam os trens. Ouvia as vidas de cada um, de onde vinham, o que faziam antes de desembocarem […]