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Das virtudes desconcertantes da infância [Mariana Ianelli]

janeiro 11, 2020

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A criança sendo criança não sabe ser hipócrita. Mesmo as desde cedo educadas como se fossem adestráveis não têm ainda um filtro que lhes esteja tão bem acoplado que não deixe passar uma sinceridade irreparável. Sem provocação, sem intenção de magoar, ela dirá impávida e inocentemente que não gosta de você, se não gostar. Pode […]

Cheiro de Frangipani [Mariana Ianelli]

dezembro 28, 2019

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Sem despedidas, discretamente, você se retira. Passam os dias e essa ausência vai ficando menos e menos discreta, vão chegando mensagens, algumas ainda gentis, curiosas, depois preocupadas, outras urgentes, mais que urgentes, imperativas, até eclodirem rompimentos, uns atrás de outros, às vezes tão ardentes da parte dos ofendidos que é como se há muito tempo […]

Nosso tráfico [Mariana Ianelli]

dezembro 14, 2019

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Mau tempo para os inocentes, o que é possivelmente a menos espantosa das más notícias, mas continuamos a trabalhar como formigas, trabalhamos por nossa conta e risco, trabalhamos com afinco, vivemos sob suspeita da tal vizinhança solidária, que mais não é do que o olho do olho da polícia, estamos em guerra, sob vigília, sob […]

Estimada Eulalie Ligneul,

novembro 30, 2019

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Soube outro dia que o documentário “Quem é Primavera das Neves”, de Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo, ganhou dois prêmios no Festival Arquivo em Cartaz. Inevitavelmente pensei em você. Não nos conhecemos e a indiscrição da carta pública tem sua razão de ser neste caso. O nome de Primavera das Neves assinando uma tradução […]

Sobre terços e orações selvagens [Mariana Ianelli]

novembro 16, 2019

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Desde menina os tive, e não que os procurasse: eles me chegavam. Da avó, da mãe, da irmã, da amiga, do amigo. Nem todos dos quais me lembro ainda estão comigo. O de contas transparentes, que se maravilhava contra a luz, dei para a mãe de Cassiana, que levantou o tule sobre a cama de […]

Os mortos e os que não existem [Mariana Ianelli]

novembro 2, 2019

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Minha filha acha natural que os bichos morram e tudo o que tem coração vire estrela. Drama nenhum que uma aranha devore um mosquito e o gato devore a aranha e um dia esse gato também desapareça. Yolanda brinca de me fazer morrer, depois me ressuscita. Quer repetir minha morte várias vezes, então basta que […]

Vinicius [Mariana Ianelli]

outubro 19, 2019

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Existem poetas que nos atraem para dentro de uma cela, a olhar para os cantos das paredes e ouvir o que murmura o branco. Existem aqueles que nos chamam para um jardim com fino tato de monge ou borboleteios de criança. Há os que nos puxam para o meio de um tumulto, e falam alto. […]