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Eles voltaram [Mariana Ianelli]

junho 15, 2019

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Não sei se são os mesmos que já encontrei a umas quadras daqui ou se cada morcego do bairro tem sua árvore. O fato é que eles andavam sumidos e voltaram. Ressurgiram desde a última lua cheia, à hora de costume, entre duas e três da madrugada, e parecem até mais animados. Não que eu […]

Angst [Mariana Ianelli]

junho 1, 2019

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É um nó no peito todo dia. Palavra curta, que puxa pra dentro e trava na garganta. Sentimento de aspereza universal. É o pesadelo da lama no sono mal dormido das famílias de Santa Bárbara. É a caça por esporte, o grande desmonte autorizado, leilão de terras, leilão de águas, um monte de frutas e […]

Nada a esconder [Mariana Ianelli]

maio 18, 2019

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Há quem tome a expressão ao pé da letra e se autoexponha, e se autoexplore até as entranhas, e arrebate para luz seus peixes cegos, nada a esconder ou o correlato ‘minha vida é um livro aberto’, e eis que assim, além da lâmpada, alguém põe a cama na janela, suas ânsias e inconstâncias e […]

Memórias do sono [Mariana Ianelli]

maio 4, 2019

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Se eu contar como foi, como tem sido, cuidar do seu sono, quem sabe amanhã seu corpo escute e se lembre de quanto embalo bom já fez você adormecer de repente, no meio de um passeio, na bicicleta, no carro, durante o almoço, no chão da sala, no teatro numa tarde de domingo, nos meus […]

A hora da Nossa Senhora da Solidão [Mariana Ianelli]

abril 20, 2019

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Sobre esta hora, Rilke foi mais longe que todos os evangelhos canônicos e disse que a mãe ao pé do sepulcro ficou “imóvel como o interior da pedra ficou imóvel”. Em qualquer outra hora, essa mãe poderia ser da glória, da esperança, dos remédios, dos milagres, do bom conselho, da boa morte. Nesta hora, não. […]

Hopperianas [Mariana Ianelli]

abril 6, 2019

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Um aquário aceso no meio da sala de um apartamento vazio. A bisavó na fotografia fazendo um crochê que não tem fim. A mendiga recostada no muro do canteiro fumando seu cigarrinho. O padre no seu quarto à meia-noite lendo um poema de Sophia. A mulher de sapatos na mão depois da festa, no topo […]

Anúncio sincero [Tiago Maria]

abril 4, 2019

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Preguei no meu carro uma placa de vende-se. Sim, preguei, mesmo, claro, aproveitando uns buraquinhos na lataria, perto do porta malas.  Um engraçadinho, limpando a poeira com o dedo, escreveu logo abaixo: ha,ha,ha – duvido! Não que eu discorde do engraçadinho, agora, atrapalhar o negócio dos outros já é sacanagem. Tá certo que olhando a […]