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O jasmin e o lixo [Cássio Zanatta]

outubro 8, 2019

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Chego à estação Fradique Coutinho do metrô. Do lado de fora da estação, vejo que fizeram um pequeno jardim, com uma fileira de pés de jasmim, que agora estão floridos. No espaço modesto, cercado pelo cimento, é um apertado e urgente momento de beleza. Sim, este será o assunto da crônica. Quem o acha de […]

Minha camisa ridícula [Cássio Zanatta]

setembro 24, 2019

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Comprei uma camisa ridícula. Estava superbaratinha, parcelada em 10 vezes, comprei. Ela tem um tecido leve, bom de usar, e uma gola desconjuntada, ruim de usar. É amarela, há quem diga laranja, botões azuis, uns coqueiros de folhas verdes espalhados e muitos sóis vermelhos. Imagino que o sujeito tenha decidido pelo sol vermelho para que […]

A substituição das fotos [Cássio Zanatta]

setembro 10, 2019

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Escrita a partir de uma foto postada pela Adriana Falcão e a ela dedicada.     .    Na sua casa há de ter. Na casa da tia viúva, doceira e de cabelo roxinho certamente tem. Na casa do fraudador, da atriz da novela, do físico nuclear e do lateral direito da Caldense, pode apostar. Aqueles […]

Amor cabe em cada coisa [Cássio Zanatta]

agosto 27, 2019

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Amo desembrulhar bala. Amo acertar o acorde de ouvido. As badaladas cansadas dos velhos relógios. Achar uns trocados perdidos no bolso eu amo. A onda que finge ser mais fraca que a pedra, a superior preguiça dos felinos, viajar na janelinha, proteger uma bolha de estourar antes da hora. O relâmpago que se recusa a […]

Zarolho [Cássio Zanatta]

agosto 13, 2019

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No tempo dos olhos inocentes, os dois ainda se entendiam. Buscavam ver os mesmos acontecimentos, encantar-se com igual paisagem. Juntos, miravam rostos e constelações. Optavam de pleno acordo por um caminho, eram capazes de acompanhar por horas a procissão das ondas. De madrugada, sonhavam fixos em um ponto do teto, caso houvessem cruzado com aqueles […]

Que inveja [Cássio Zanatta]

julho 30, 2019

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Ai que inveja da preguiça do cachorro estatelado no tapete, debaixo do solzinho que entra pela janela, nem aí com a Hora do Brasil. O que eu daria para, como ele, levantar uma só orelha, diante de algum acontecimento que dispensa providências. Inveja matadeira de gente que não precisa fazer check-up. De quem suporta anis. […]

A visita das ondas [Cássio Zanatta]

julho 16, 2019

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Foram 12 ondas em sequência. Das mansas, diminuídas, que chegam na areia só para deixar a espuma e descansar um pouco antes de voltar ao batente. A primeira onda disse – se não entendi errado, o vento levou algumas palavras – que a pressa não tem razão de ser. Quebrou, visitou meus pés, conheceu o […]