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Às vezes [Cássio Zanatta]

junho 2, 2020

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Às vezes, você é a coisa mais linda. Às vezes, não. Um dia são braços abertos, no outro, o impulso da catapulta. Faz a beleza se morder de inveja, para em seguida não inspirar nenhum assobio ao passar em frente à construção. O que nunca varia é meu espanto. Seus dentes costumam trilhar um caminho […]

Eu merecia [Cássio Zanatta]

maio 19, 2020

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Eu merecia estar agora na Bahia. Numa rede. Num coqueiral infinito, onde uma brisa balança a rede sem que a gente precise dar impulso. Não faço questão de pôr do sol de 4 cores, só que não haja mutuca, compromisso e axé num raio de 880 metros. Merecia agora estar em Paris. Com Beatriz. No […]

A dor maior [Cássio Zanatta]

maio 5, 2020

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     – Picada de marimbondo.      – Dói demais.      – Sentar no formigueiro.      – Morder a língua.      – Injeção.      – Injeção na coxa.      – Peraí, isso não existe.      – Eu já tomei, ué, umas 20 vezes.      – Bolada no saco.      – Em dia de chuva, com lama […]

Quando a gente acha [Cássio Zanatta]

abril 21, 2020

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Quando a gente acha que encontrou o sono, se lembra das prestações em atraso. Quando tenta se convencer que não engordou tanto, a calça resolve dizer as verdades. Se chora de alegria, a tristeza, despeitada que só ela, logo exige seu maior direito à lágrima. Se acha que está em paz, o pensamento de algum […]

Mais do mesmo [Cássio Zanatta]

abril 7, 2020

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O gosto salgado da lágrima será reconhecido tanto por quem chora de rir como por quem perde a casa na enchente. Quando faz calor, o corpo regula sua temperatura pelo suor dos poros. Isso funciona tanto para o homem que pendura a corda e sobe no banquinho, como para quem ganha quatro milhões na loteria. […]

A primeira vez [Cássio Zanatta]

março 24, 2020

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O botão. Cadê o botão que liga? E assim foi meu primeiro contato com essas esteiras eletrônicas de academia. Sou um caminhante assumido, ando mais de uma hora pelo bairro, pelas praças e parques, mas, com essa epidemia de coronavírus crescendo, evito sair de casa. Para não enlouquecer ficando parado, fiz uma pequena contravenção e […]

A tarde falhou [Cássio Zanatta]

março 10, 2020

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Eu esperava tanto da tarde. Minto. Esperava até pouco: um café bebido sem pressa, uma sombra boa, um consolo, risada de criança durante o recreio. Essas coisas bobas, que nos trazem sossego. Mas a tarde falhou. Tanto que resolvi dizer as horas pelos números menores: nada de quatorze horas, dezessete horas, esses exageros. Chamei de […]