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Você aí [Cássio Zanatta]

novembro 6, 2018

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Você aí, na dúvida se leva casaco ou não, se pede pastel ou empadinha, se começa a barba pelo lado esquerdo ou pelo bigode, se deixou os óculos no banheiro ou na copa; e ele vindo: já se desvencilhou de Andrômeda. Você aí, irritada porque está atrasada para o trabalho e o farol fechou bem […]

Eis o problema [Cássio Zanatta]

outubro 23, 2018

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O problema não é ficar sabendo que o mundo é milhares de vezes maior que São José (embora eu tenha minhas dúvidas). É mesmo assim a gente se afligir com algo que ficou sabendo de dia e não dormir de noite. O enrosco não é entender que caberiam centenas e centenas de Terras no interior […]

Quando se deixa de ser criança [Cássio Zanatta]

outubro 9, 2018

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A gente deixa de ser criança quando não acha mais espirro engraçado. Nem homem careca (às vezes até vira um). Quando pensa que é a coisa mais normal do mundo a estátua do Cristo estar lá em cima da montanha e que passear no Bondinho é programa de turista. Deixa-se de ser criança por muito […]

De uma pedra estrangeira [Cássio Zanatta]

setembro 25, 2018

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De uma pedra que não é da minha terra observo o mar. Minha praia fica do outro lado do horizonte, por isso a água chega exausta à margem e faz um barulho diferente, quebra em cascalhos e pequenas pedras, não na areia costumeira. Praia de pedra tem dois inconvenientes. Um: pedras costumam ser duras e […]

Sobre a ponte [Cássio Zanatta]

setembro 11, 2018

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Oi, ponte. Olha eu aqui de volta. Pronto. Agora o sujeito deu para falar com pontes. Não bastasse inventar conversa com passarinho, como se falasse com o pai, agora essa. Deve ser a emoção de estar aqui de novo. Em 91, bati o recorde mundial de ficar olhando o mundo por esta ponte. Era de […]

Bem que vocês tentaram [Cássio Zanatta]

agosto 28, 2018

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Dó que eu tenho do ônibus que se esforça em ser desagradável. Faz o possível, capricha no barulho, na cadeira quebrada, no solavanco em cada troca de marcha, até faz entrar um cidadão que vende aos berros umas capinhas para celular bem mixurucas. Passa no vermelho e quase atropela o cidadão ali que cometia (o sonso) […]

No escuro [Cássio Zanatta]

agosto 14, 2018

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Estou numa casa no meio do mato e não há luz. Andaram caindo uns trovões brabos na redondeza e isso assustou a eletricidade. Escrevo à luz de velas como faziam Cervantes, Eça e Shakespeare, mas a iluminação dos gênios definitivamente não me alcança. Li em algum lugar que uma das principais causas da recente descrença […]