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A dor do defunto e outros itens [Raul Drewnick]

outubro 8, 2017

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O defunto pergunta-se quando afinal  vão enterrá-lo. Já lhe doem as costas e só espera que a tampa seja fechada, para poder virar-se e cochilar. *** Diz um escritor a outro: “Então ficamos assim. Se houver eternidade, nós nos encontramos lá. Se eu for primeiro, vai ser fácil você me achar. Eu estarei ao lado […]

Balaio de textos [Raul Drewnick]

setembro 24, 2017

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Tudo que não é poesia me parece laico, prosaico, profano. *** Se é tristeza o que você sente, diga. Se é desesperança o que você tem a escrever, escreva. O que você teme? Você se envergonha de causar compaixão? *** Depois da morte, nossa vida nunca mais será a mesma. *** Não, ainda não morri. […]

Nobel e outras obsessões [Raul Drewnick]

setembro 10, 2017

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Para escritores muito velhos, o Nobel não é um prêmio, é uma desforra. *** O velho se despede da última esperança, enquanto os poetas jovens premeditam o Nobel. *** Como se tornam tristes e acusadoras as palavras amantes e caso, quando já se esgotaram o encanto e o alvoroço iniciais. *** Quantos de nós se […]

De internet, Kariêninas e Bovarys [Raul Drewnick]

agosto 13, 2017

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Pelo que vejo na internet, os maridos não servem para nada mais importante do que discutir a relação. *** Basta que a literatura dê um cochilo e lá vai a vida furtar-lhe uma história. Tantas Kariêninas e Bovarys que seriam perfeitas se não lhes faltasse um toque de Tolstói ou Flaubert… *** Numa pasta de […]

Tristezas e alguma inadvertida alegria [Raul Drewnick]

julho 30, 2017

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Não sou um desses tristes oportunistas, de ocasião. Sou triste por convicção. *** Segui o conselho de Sócrates. Hoje me conheço melhor que ontem. Ontem eu era mais feliz. *** Teu nome não precisas me dizer, conheço tantos nomes de rainha. Deixa que o teu seja uma escolha minha e pune-me se errado eu escolher. […]

Uma mixórdia e tanto [Raul Drewnick]

julho 16, 2017

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À meia-noite, a prosa poética e a poesia prosaica se esmeram na maquilagem, acolchoam os peitos flácidos e vão seduzir jovens tolos nos bares. *** A poesia dava status aos que a faziam, no tempo em que a faziam. *** Penso às vezes como é estranho alguém dizer que vive para escrever ou para dedicar-se […]

Palavras, frases, não muito mais [Raul Drewnick]

julho 2, 2017

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Nunca citar o nome de Millôr em vão. *** O haicai é uma forma aprimorada de silêncio. *** Os maus exemplos não deixam de ser exemplares. *** Amor hoje é uma atividade voltada quase exclusivamente para fins recreativos. *** A razão, se não lhe impusermos limites, é bem capaz de negar a existência de um […]