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Definições e indefinições [Raul Drewnick]

junho 18, 2017

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Poeta é aquele sujeito que, embora ninguém lhe pergunte, vai dando opinião sobre flores e passarinhos. *** Quem, em vez de uma, lança diariamente dez garrafas com mensagens ao mar, tem menos ou mais esperança?  *** Todo pássaro tem alguma vocação para haicai. *** Na cama, podem parecer pecaminosos até fervorosos triságios como amor, amor, […]

Frases curtas, ideias simples [Raul Drewnick]

maio 21, 2017

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Uma borboleta é uma presa tão fácil para os maus poetas.  Nós deveríamos envergonhar-nos. *** Não era um poeta cabeça de vento como os outros. Tinha emprego na bolsa e terras no Parnaso. *** O que a vida merece mesmo de nós é ou o sarcasmo ou a chacota. E, no entanto, nós lhe oferecemos […]

O mártir no primeiro e a morte no item final [Raul Drewnick]

maio 7, 2017

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Não deve ter se explicado bem, porque meses depois de haver desertado da poesia, ainda os pássaros vêm chamá-lo de manhã. Pelo menos foi o que ele disse hoje aos amigos, com cara de mártir. *** Fazer hoje um soneto (bom ou mau) é fazer todos. Custa-me acreditar nisso, justamente eu, que outrora escrevi tantos […]

Gracinhas, chorinhos e outros diminutivos [Raul Drewnick]

abril 23, 2017

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Admita-se: nunca houve poetas com a cabeça tão assentada quanto os concretistas.  *** Que vocação policialesca têm os pronomes demonstrativos, sempre apontando: este, esse, aquele. *** Com tanto Andrade, o modernismo não parecia um movimento – parecia uma sociedade. *** Nas frases curtas, geralmente a única sabedoria consiste em poupar a paciência de quem lê […]

101 livros de crônicas que merecem ser lidos

abril 10, 2017

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Não é uma lista com os melhores livros de crônicas já produzidos porque, para isso, seria preciso que eu conhecesse muito mais livros do que conheço.  Sinto a falta, nesta lista, de mais escritores das regiões centro-oeste, norte e nordeste, que poderiam ter entrado, acaso eu já tivesse contato com eles. Também não é uma […]

O vampiro comensal e outras esquisitices [Raul Drewnick]

abril 9, 2017

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Depois do banquete o vampiro eructou vampirescamente e limpou a boca com o papiro. *** Na ironia você diz outra coisa para dizer o que queria. *** Ele se declarou inocente, mas, ao puxar o lenço para enxugar o suor, escaparam do seu bolso catorze pássaros que, embora de porcelana, se puseram a esvoaçar pela […]

Exortações e alguma coisa mais [Raul Drewnick]

março 26, 2017

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Raul Drewnick* Falemos baixo, acostumemo-nos. No lugar para onde amanhã ou depois iremos, tudo que nos será exigido será o silêncio. *** Anoiteçamos com a amável resignação das árvores. Não perturbemos a quietude nem com a queixa de nossas folhas nem com o alvoroço de nossos frutos. *** Tenhamos pena de nós. Nós a merecemos. […]