Browsing All posts tagged under »Raul Drewnick«

O fenômeno literário e os outros [Raul Drewnick]

maio 31, 2020

1

Depois dos oitenta anos, continuar escrevendo é um fenômeno muito mais médico que literário. *** Já de longa data sou para mim persona non grata. *** Um haicai não se busca. Um haicai se  aceita, como uma graça. *** Nos sonhos dos parnasianos, seus sonetos eram lírios que cantavam como rouxinóis. *** No tempo de […]

Poetas, chatos, defuntos [Raul Drewnick]

maio 17, 2020

0

Sempre foi um poeta com preocupações sociais. Aos dezoito anos, já propunha uma campanha de apoio às rimas pobres. *** Há defuntos vistosos, midiáticos. E há defuntos que são o que são. *** Um chato sempre dispõe de tempo para nos contar de novo uma piada. Principalmente se não tivermos gostado dela. *** O chato […]

Loira de vestido grená [Raul Drewnick]

maio 3, 2020

0

Não sei por que (embora talvez saiba muito bem) me lembrei hoje de uma conversa que ouvi quando menino. Eram todos homens velhos e, cada um a seu modo, concordavam num ponto: a Morte, quando viesse, seria uma loira belíssima de vestido grená. *** O amor é a tolice que mais nos gabamos de cometer. […]

Trechos, nada mais [Raul Drewnick]

abril 19, 2020

0

Tem notado a tendência de se expressar com metáforas. Hoje lhe ocorreu que o sexo é uma dessas flores murchas de jarro. *** Quando ferida pela gozosa espada do jovem amante, a prima-dona estilhaçou com seus gritos todos os cristais do hotel, do primeiro ao último andar. *** Se você diz a um chato que […]

Dispersão orquestrada [Raul Drewnick]

abril 5, 2020

2

Fatos são fatos: os vira-latas viraram todos fura-sacos. *** Corre-corre são duas pressas movidas por um tracinho. *** Se é um poeta concretista quem declama, os espectadores da primeira fila devem estar preparados para se esquivar de perdigotos empedregulhados. *** Convidado a visitar o castelo do poeta romântico, o concretista se espanta: que desperdício de […]

Sobre poetas e similares [Raul Drewnick]

março 22, 2020

0

Para saber se é primavera, o velho poeta agora precisa encontrar os óculos e, depois, ver onde está a folhinha. *** Se o poeta demorasse um minuto para abrir o guarda-chuva, seu belo crânio parnasiano seria atingido pela multicolorida queda do arco-íris concretista. *** O velho poeta vai se esquecendo das coisas. Hoje apontou para […]

Frases a torto e a direito [Raul Drewnick]

março 8, 2020

2

Era menino e já adepto da sacanagem. Nas aulas de português – que desfaçatez – louvava os vícios de linguagem. *** Escrever cada vez menos – e pedir perdão, mesmo assim. *** Que os amigos nos amem pelos nossos olhos verdes e sejam condescendentes com a nossa literatura. *** Um livro de autoajuda pode auxiliá-lo […]