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Soltinhos e talvez crocantes [Raul Drewnick]

dezembro 17, 2017

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Sou dos que acreditam que uma musa nórdica pode melhorar a obra e a biografia de qualquer poeta. *** Tínhamos tanto a dizer. Dissemos amor – e tínhamos dito tudo. *** Personagens antigos davam tratos à bola, ficavam com a pulga atrás da orelha e falavam com seus botões. *** Que o julgamento alheio, se […]

O joio que sobrou do trigo [Raul Drewnick]

dezembro 3, 2017

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O que indispõe Deus com os poetas dos quais recebe perguntas e invocações é a desleixada métrica, além da vulgaridade das rimas. Ele continua fiel ao parnasianismo, que criou com Alberto de Oliveira e Olavo Bilac. *** O novo em arte é quase sempre uma habilidosa forma de repetição. *** Somos nosso filho predileto: nos […]

A morte e outras ocorrências [Raul Drewnick]

novembro 19, 2017

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Uma de nossas mais frequentes bravatas é dizermos que estamos prontos para a morte, como se a morte fosse uma disciplina que se aprendesse com apostilas, empenho e provas bimestrais. *** Fazer arte pela arte é um princípio difícil de sustentar, mas – justamente por isso – de uma extraordinária beleza. *** Sempre considerei a […]

Nada além de ninharias [Raul Drewnick]

novembro 5, 2017

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Escrevo coisas pequenas, ninharias. Que se canse o artista e maldiga seu ofício, enquanto eu assobio e vou fazendo minhas bijuterias. *** O traço mais comovente dos mortos é a resignação com que se submetem ao terno e à gravata. *** Se o que você sente é amor, não receie ser pródigo; tema ser avarento. […]

Desmoronamento de frases [Raul Drewnick]

outubro 22, 2017

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Trabalho duro e persistente não basta. Você conhece alguma formiga que tenha conseguido o Nobel? *** Viver como se só a literatura importasse é só o que deve importar a quem não escreve só por escrever. *** E se, por acaso, cair bem num feriado o dia do Juízo Final? *** Quando lhe diz o […]

A dor do defunto e outros itens [Raul Drewnick]

outubro 8, 2017

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O defunto pergunta-se quando afinal  vão enterrá-lo. Já lhe doem as costas e só espera que a tampa seja fechada, para poder virar-se e cochilar. *** Diz um escritor a outro: “Então ficamos assim. Se houver eternidade, nós nos encontramos lá. Se eu for primeiro, vai ser fácil você me achar. Eu estarei ao lado […]

Balaio de textos [Raul Drewnick]

setembro 24, 2017

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Tudo que não é poesia me parece laico, prosaico, profano. *** Se é tristeza o que você sente, diga. Se é desesperança o que você tem a escrever, escreva. O que você teme? Você se envergonha de causar compaixão? *** Depois da morte, nossa vida nunca mais será a mesma. *** Não, ainda não morri. […]

Nobel e outras obsessões [Raul Drewnick]

setembro 10, 2017

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Para escritores muito velhos, o Nobel não é um prêmio, é uma desforra. *** O velho se despede da última esperança, enquanto os poetas jovens premeditam o Nobel. *** Como se tornam tristes e acusadoras as palavras amantes e caso, quando já se esgotaram o encanto e o alvoroço iniciais. *** Quantos de nós se […]

Sobre uma porção de coisas [Raul Drewnick]

agosto 27, 2017

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Os castelos dos românticos se esvaíam. Os dos concretistas desmoronavam. *** No pecado do amor, o que há de melhor é o risco de reincidir. *** O  que será de nós no dia em que os verbos se conjugarem e se voltarem contra nós? *** Meninos moradores de rua não costumam fugir de casa. *** […]

De internet, Kariêninas e Bovarys [Raul Drewnick]

agosto 13, 2017

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Pelo que vejo na internet, os maridos não servem para nada mais importante do que discutir a relação. *** Basta que a literatura dê um cochilo e lá vai a vida furtar-lhe uma história. Tantas Kariêninas e Bovarys que seriam perfeitas se não lhes faltasse um toque de Tolstói ou Flaubert… *** Numa pasta de […]