101 livros de crônicas que merecem ser lidos

Posted on 10/04/2017

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Não é uma lista com os melhores livros de crônicas já produzidos porque, para isso, seria preciso que eu conhecesse muito mais livros do que conheço.  Sinto a falta, nesta lista, de mais escritores das regiões centro-oeste, norte e nordeste, que poderiam ter entrado, acaso eu já tivesse contato com eles.

Também não é uma lista com os melhores livros porque, fatalmente, ela trairá o meu gosto pessoal. No entanto, esta lista tem a pretensão de ser bem representativa daquilo que já se produziu no gênero da crônica, e quem sabe possa servir para que alguém conheça mais um livro ou mais um escritor.

Não foi, de toda forma, fácil selecionar os livros, e a prova disso é que originalmente seriam só 100.

Henrique Fendrich

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1. A traição das elegantes (1968) – Rubem Braga (1913-1980). Obra-prima do mais celebrado cronista do país, o livro reúne textos impregnados do lirismo que o consagrou, mostrando com um humor sereno a sua predileção pelas coisas simples da vida, o seu encanto pela natureza e pela mulher.

2. O homem nu (1960) – Fernando Sabino (1923-2004). Este é o livro que contém a crônica mais famosa do escritor, bem representativa do seu estilo, focado em histórias pequenas e aparentemente triviais do cotidiano, das quais consegue extrair, em textos sempre ágeis, o humor e o encanto pela vida.

3. O cego de Ipanema (1960) – Paulo Mendes Campos (1922-1991). Primeiro livro de crônicas do autor, o livro é repleto das viagens líricas de quem coleciona lembranças e comparações, dando bastante atenção à forma do seu texto, não deixando de lado o humor e nem o encantamento pelos brotinhos.

4. A SemanaMachado de Assis (1839-1908). O livro percorre crônicas escritas pelo Bruxo entre 1892 e 1897, repletas de uma ironia ousada que nunca se viu depois dele, cheias de experimentações, de cenários fantásticos, do absurdo, do delírio, em irreverências que perfazem todo o noticiário do país.

5. A cabra vadia (1970) – Nelson Rodrigues (1912-1980). Entrevistas imaginárias, personagens caricatos e sacadas excepcionais aplicadas à argumentação do cronista fazem deste um dos livros mais originais do gênero, com a fluência garantida pela quebra de raciocínio e constante mudança de assunto.

6. Ai de ti, Copacabana (1960) – Rubem Braga (1913-1980). Trata-se de outra seleção composta pelas pequenas epifanias que o cronista conseguia extrair da vida e relatar com simplicidade, formando um clima de melancolia e beleza sem precedentes na literatura, e que inclui textos feitos em Santiago.

7. Comédias da vida privada (1994) – Luis Fernando Verissimo (1936-). Antologia de crônicas que contribuiu para consolidar o escritor como um dos grandes representantes do humorismo no gênero, por meio de histórias rápidas e envolventes que flagram pequenos dramas da nossa vida cotidiana.

8. O jornal de Antônio Maria (1968) – Antônio Maria (1921-1964). O coloquialismo ligeiro, a mescla de humor e lirismo e a auto-referência debochada são marcas dessa coletânea, que fala de coisas cotidianas e próximas ao leitor, com quem gosta de dialogar e brincar, em meio às suas tiradas poéticas.

9. A revolução das bonecas (1967) – Carlinhos Oliveira (1934-1986). Segunda coletânea deste cronista, capixaba como Rubem Braga, o livro é marcado por uma mistura de lirismo existencial com sarcasmo, em um estilo ágil e sensível para captar o ridículo e o patético do homem do seu tempo.

10. FEBEAPÁ (1966) – Stanislaw Ponte Preta/Sérgio Porto (1923-1968). Um dos grandes clássicos da crônica brasileira, o livro representa uma espécie de revanche do escritor diante dos feitos promovidos no Brasil no tempo da ditadura, procurando evidenciar todo o absurdo que permeava o noticiário do país.

11. A borboleta amarela (1955) – Rubem Braga (1913-1990). Aqui já está consolidado o estilo cheio de beleza, melancolia e vida que se reverencia na produção do escritor, quando o noticiário perde importância e o tema nasce de episódios prosaicos e cheios de emoção, com destaque para os adjetivos.

12. A mulher do vizinho (1962) – Fernando Sabino (1923-2004). Com uma linguagem limpa e clara como poucos na literatura, o cronista compõe este livro de muitas historietas bem-humoradas, cheias de episódios inusitados e desfechos imprevisíveis, mas mostra também a sua consciência humana e social.

13. A descoberta do mundo (1984) – Clarice Lispector (1920-1977). O livro reúne a extensa produção da escritora para o Jornal do Brasil entre 1967 e 1973, e que representam a sua descoberta do gênero da crônica, usando seu espaço para reflexões interiores, mas também diálogos com o leitor.

14. O óbvio ululante (1968) – Nelson Rodrigues (1912-1980). São as primeiras “confissões” do escritor, que mostram um cronista bastante interessado nas tendências do Brasil em que vivia, criando crônicas densamente povoadas, em estilo seco, envolvente e repleto das sacadas que fizeram a sua fama.

15. Homenzinho na ventania (1962) – Paulo Mendes Campos (1922-1991). Segundo livro de crônicas do autor, que conseguia tanto fazer a crônica tradicional, com um relato bem-humorado de um episódio cotidiano, como fazer grandes experimentações poéticas e estilísticas, dotadas de grande lirismo.

16. O analista de Bagé (1981) – Luis Fernando Verissimo (1936-). Talvez o mais famoso personagem de humor nascido por meio das crônicas, o analista de Bagé é um psicanalista da linha freudiana que, apesar de ortodoxo, pratica métodos bem pouco convencionais e que provocam o riso certo.

17. Ilusões do mundo (1976) – Cecília Meireles (1901-1964). Notável conjunto de crônicas produzidas para o rádio nos anos 60, sem nada que o diferencie de crônicas impressas, o livro é lírico e imagético, com episódios, cenários e impressões descritos com espantosa precisão, cheios de beleza e ternura.

18. Boca de luar (1984) – Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Octogenário, Drummond continuava fazendo crônicas leves e joviais, ocupando-se de assuntos cotidianos e triviais, bem ao gosto do gênero, mas em tudo deixando transparecer a sua grande sensibilidade e uma latente inquietação social.

19. Um pé de milho (1948) – Rubem Braga (1913-1990). É com a sua melancolia, e mesmo desalento, que Braga discorre sobre os problemas urbanos do Rio de Janeiro na década de 40, mas o livro também conta com algumas notáveis experimentações, com crônicas em sequência que flertam com a ficção.

20. Bons dias! (1990) – Machado de Assis (1839-1908). Este série de crônicas foi publicada em 1888 e 1889, ou seja, pega o período da abolição da escravatura e a proclamação da República, e tudo passa pelo crivo e pela ironia machadiana, que também fala sobre medicina popular, neologismos e espiritismo.

21. As terras ásperas (1993) – Rachel de Queiroz (1910-2003). Produzidas já na maturidade da escritora, as crônicas selecionadas para este livro impressionam por não resvalar em nenhum tipo de saudosismo, sendo antes um testemunho crítico diante de questões contemporâneas à sua escrita.

22. O gato sou eu (1983) – Fernando Sabino (1923-2004). Os livros de crônicas de Fernando Sabino se destacam por uma notável unidade, sendo esta uma representativa coletânea das histórias engraçadas, pitorescas e comoventes que conseguiu produzir a partir de sua sensível observação da realidade.

23. Diário da Patetocracia (2005) – Carlinhos Oliveira (1934-1986). É o testemunho incisivo e crítico, mas também muito bem-humorado, de Carlinhos Oliveira diante da evolução dos acontecimentos políticos e sociais que fizeram de 1968 um dos anos mais marcantes da nossa história recente.

24. Seja feliz e faça os outros felizes (2005) – Antônio Maria (1921-1964). Esta é uma coletânea em que Maria nos pega humor certeiro, um humor de canto de boca, sendo digna de nota a sua relação com os leitores de suas crônicas, a quem também podia servir como um conselheiro sentimental.

25. Melhores Crônicas (2003) – José de Alencar (1829-1877). Pioneiro em muitos gêneros, José de Alencar foi também um dos precursores da crônica no Brasil, e é coisa de se ver a habilidade com que discorre sobre os acontecimentos que afetavam a capital do país entre os anos de 1854 e 1857.

26. Recado de primavera (1984) – Rubem Braga (1913-1990).  À sua habitual capacidade de produzir material lírico a partir de acontecimentos simples do cotidiano, o escritor acrescenta neste livro, entre uma crônica e outra, pequenos recortes, mini-crônicas que promovem reflexões específicas.

27. Um brasileiro em Berlim (1995) – João Ubaldo Ribeiro (1941-2014). Nesta coletânea, o escritor discorre com um humor de tirar o fôlego sobre os episódios cotidianos da sua estada em Berlim pouco tempo após a queda do muro, sendo muito divertido o confronto de visões de mundo com os alemães.

28. A velhinha de Taubaté (1983) – Luis Fernando Verissimo (1936-). Livro que reúne textos com uma das personagens mais conhecidas da crônica brasileira, a velhinha que era a última pessoa que ainda acreditava no Governo, e com a qual o escritor mostra toda a sua capacidade de produzir comédias.

29. Cartas de viagem (2006) – Campos de Carvalho (1916-1998). Poucas vezes a crônica já abrigou um humor tão corrosivo e divertido como o que preenche a primeira parte deste livro, composto por cartas, originalmente publicadas pelo Pasquim, sobre as andanças do escritor por Paris e Londres.

30. Os bares morrem numa quarta-feira (1980) – Paulo Mendes Campos (1922-1991). Nesta significativa coletânea, o cronista fala com leveza, humor e muita poesia sobre os assuntos mais diversos, não deixando de lado alguns que são caros ao gênero, como a mulher e as conversas de mesa de bar.

31. O conde e o passarinho (1936) – Rubem Braga (1913-1990). Primeiro livro do escritor que melhor definiu os contornos do gênero, o livro já insinua o lirismo que se tornaria a marca do escritor, mas também mostra um cronista bastante ligado à atualidade e ao comentário incisivo e irônico do noticiário.

32. A alma encantadora das ruasJoão do Rio (1881-1921). Importante na transição da crônica folhetinesca para a crônica moderna, o livro reúne textos em que o escritor e jornalista percorre as ruas do Rio de Janeiro e revela as glórias e as misérias no seu processo de transformação acelerada.

33. Um bom dia para nascer (1993) – Otto Lara Resende (1922-1992). Única incursão do escritor mineiro pela crônica, escritas no fim da vida e publicadas postumamente, o livro revela um cronista culto que versa com habilidade sobre assuntos gerais, etimologia, literatura, política e até mesmo animais.

34. A falta que ela me faz (1981) – Fernando Sabino (1923-2004). Atrás do sorriso e da piada que são comuns às crônicas de Sabino, está um escritor com uma aguda visão dos seres humanos, do mundo e das coisas, o que faz com que livros como esse não sejam apenas engraçados, mas bonitos e ternos.

35. Vossa insolência (1996) – Olavo Bilac (1865-1918). As crônicas reunidas neste livro mostram um escritor altamente combativo, defendendo causas que julgava necessárias para que o Rio de Janeiro fosse um melhor lugar para se viver, sendo grande a sua percepção social, em textos e linguagem acessíveis.

36. A bolsa & a vida (1962) – Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Seleção de textos escritos no Correio da Manhã nos anos 50 e 60, a obra contém o mesmo humor fino característico da crônica de Drummond, que constrói e revela com simplicidade e delicadeza pequenos casos do cotidiano.

37. O luar e a rainha (2005) – Ivan Lessa (1935-2012). Reunião de textos escritos diretamente de Londres entre 2000 e 2004, o livro se alimenta principalmente do noticiário da época, sejam os temas de relevância, como o 11 de setembro, ou os simples fait divers, em estilo leve, conciso e muito divertido.

38. A menina sem estrela (1967) – Nelson Rodrigues (1912-1980). O livro reúne 80 crônicas que, de certa forma, representam as memórias do escritor, sendo escritas com a mesma prosa ágil e envolvente, repleta de auto-ironia e do humor mordaz que lhe é peculiar, mas conseguindo até mesmo emocionar.

39. Diálogos impossíveis (2012) – Luís Fernando Verissimo (1936-). Esta seleção tem o mérito de ter sido o único livro do escritor gaúcho a ser premiado com um Jabuti, contribuindo para isso a prosa fluente dos diálogos que criou e as conclusões e desfechos divertidos a que conseguiu conduzir o seu leitor.

40. Deixa o Alfredo falar! (1976) – Fernando Sabino (1923-2004).  Com o estilo simples, ágil e divertido que caracteriza a sua produção, o escritor mineiro faz deste livro uma de suas melhores seleções, repletas de instantâneos do cotidiano de grandes cidades, como o Rio, Londres e Belo Horizonte.

41. Arte e ciência de roubar galinha (1998) – João Ubaldo Ribeiro (1941-2014). Em um estilo em que o gracejo e o exagero contam muito, o escritor reúne neste livro divertidas crônicas relacionadas aos personagens, as histórias, os hábitos e as crendices dos moradores da ilha de Itaparica, na Bahia.

42. Crônicas escolhidas (1995) – Lima Barreto (1881-1922). Livro que reúne crônicas escritas nos anos 10 e início dos anos 20, em que o autor se destaca na defesa de ideias sobre temas em discussão na sociedade, versando sobre o Rio de Janeiro, fugindo do senso comum e não dispensando as polêmicas.

43. O verão e as mulheres (1956) – Rubem Braga (1913-1990). Anteriormente chamado de “A cidade e a roça”, o livro reúne crônicas escritas entre 1953 e 1955 para o Correio da Manhã e outros jornais, além de contar com o livreto “Três primitivos”, com crônicas sobre personalidades do mundo da arte.

44. Para uma menina com uma flor (1966) – Vinicius de Moraes (1913-1980). O livro reúne crônicas publicadas pelo Poetinha na imprensa entre 1941 e 1966, tendo como marcas o lirismo, a emoção, a ironia, o apego à paisagem e ao fato cotidiano, bem como uma compreensão do ser humano.

45. Tia Zulmira e eu (1961) – Stanislaw Ponte Preta/Sérgio Porto (1923-1968). Seleção de crônicas que privilegia as aparições da Tia Zulmira, um dos mais conhecidos e divertidos personagens da família Ponte Preta, inventada pelo alter ego do autor, em textos cuja crítica é sempre acompanhada do humor.

46. Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar (1996) – Moacyr Scliar (1937-2011). Com a leveza e humor típicos da crônica, o livro tem como mote a conflituosa relação entre pais e filhos, ou entre adultos e crianças, assim como o crescimento, a juventude e a sua tentativa de compreender a vida.

47. O caos nosso de cada dia (1974) – Carlos Eduardo Novaes (1940-). Primeira coletânea de crônicas do escritor carioca, o livro é engraçadíssimo, com um humor certeiro e mordaz diante dos problemas sociais e urbanos que, mais de 40 anos depois, continuam gerando o caso em nossas cidades.

48. A companheira de viagem (1965) – Fernando Sabino (1923-2004). Mais uma das coletâneas em que o cronista se destaca pela suas histórias, pequenos flagrantes do cotidiano, contadas de forma ágil e veloz, por vezes de efeitos engraçados, não deixando de lado alguns relatos das suas viagens.

49. Benditas sejam as moças (2002) – Antônio Maria (1921-1964). Nestes textos publicados entre 1959 e 1961 no jornal Última Hora, o cronista passa pelos tons existencial, engraçado, dramático, filosófico e jornalístico enquanto promove uma elegia às mulheres em muitas histórias confessionais.

50. De notícias & não-notícias se faz a crônica (1974) – Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Além das histórias que conta, dos diálogos que promove e dos comentários que faz, deve-se destacar a proposta formal do livro e a sua conceituação do gênero da crônica no ambiente do jornal.

51. O ato e o fato (1964) – Carlos Heitor Cony (1926-). Esta coletânea de crônicas de Carlos Heitor Cony tem início no dia golpe militar de 1964 e acompanha os primeiros dias após o acontecido, sendo estas algumas das primeiras e corajosas manifestações de protesto contra a ditadura implantada.

52. Inverno em biquíni (1977) – Henrique Pongetti (1898-1979). Cronista bastante conhecido e profícuo dos anos 50 a 70, Pongetti se destaca nesta seleção pelo textos cultos, marcados pela elegância no estilo e a serenidade no tom, em abordagens poucos tradicionais que também nos levam à reflexão.

53. Ed Mort e outras histórias (1979) – Luis Fernando Verissimo (1936-). Seleção de crônicas que privilegia as aparições de Ed Mort, o personagem criado pelo escritor como paródia das histórias norte-americanas de detetives, o que resulta em textos engraçados, bem ao estilo que consagrou Verissimo.

54. O amor acaba (1999) – Paulo Mendes Campos (1922-1991). Reunião das crônicas mais líricas e existenciais do escritor mineiro, ou seja, quando ele dá vazão a toda a sua veia poética, privilegiando os assuntos relacionados ao amor, dentro as quais se sobressai a crônica-título, uma das mais famosas.

55. Aruanda (1957) – Eneida (1904-1971). A jornalista, escritora e militante paraense se destacou com as crônicas que escrevia para o “Diário de Notícias”, demonstrando grande interesse humano pelas pessoas e seres em geral, cultivando a nostalgia da terra natal e assinalando certa dose de otimismo.

56. A força dos mitos (1976) – Janer Cristaldo (1947-2014). A coletânea do do jornalista e escritor gaúcho se destaca pela combatividade dos seus textos, essencialmente críticos, mas escritos de maneira fina e agradável de se ler, pontuados pela sua notável cultura e uma improvável vivência na Suécia.

57. Escolha o seu sonho (1964) – Cecília Meirelles (1901-1964). Este livro reúne crônicas que também foram escritas originalmente para o rádio, com linguagem bastante poética e imagética, em que a escritora se mostra interessada nas pequenas felicidades que encontra no seu cotidiano.

58. Melhores crônicas (2007) – Ivan Angelo (1936-).  Cronista tardio, nem por isso Ivan Angelo deixou de se tornar um dos grandes representantes do gênero na atualidade, destacando-se a agilidade do seu texto e a capacidade de envolver o leitor, com quem consegue criar uma relação pessoal.

59. Ponte Rio-Londres – Elsie Lessa (1914-2000). A escritora escreveu crônicas por quase 50 anos ininterruptos, e nesta coletânea ela coloca toda a sua sensibilidade para descrever os episódios de sua vida na capital da Inglaterra, em textos essencialmente líricos e cheio de belezas insuspeitas.

60. Meio intelectual, meio de esquerda (2010) – Antonio Prata (1977-). Foi com a publicação deste livro que o escritor se tornou um dos principais nomes da crônica contemporânea, em 80 textos que são bastante divertidos, mas também melancólicos, ao abordar as alegrias e os dilemas do seu dia-a-dia.

61. Ardentia (1975) – Maluh de Ouro Preto (1922-1988). Antologia com crônicas em que, muitas vezes, o confessional se associa ao descritivo, com grande inteligência visual e sensibilidade poética ao captar e humanizar os flagrantes do cotidiano, qualidades que a colocam entre as grandes do gênero.

62. Pequenas epifanias (1986) – Caio Fernando Abreu (1948-1996). Livro que reúne os pequenos milagres e mistérios do cotidiano, em crônicas que destacam a condição existencial do ser humano, as suas inquietações e angústias, em narrativas mergulhadas em poesia, com ironia, mas com melancolia.

63. 100 crônicas (1997) – Mário Prata (1946-). Coletânea com as melhores crônicas publicadas pelo escritor no jornal Estado de São Paulo, que, reunidas, tornam ainda mais evidente a habilidade do escritor em produzir textos humorísticos, assim como a notável fluência do seu estilo e linguagem.

64. Futebol da madrugada (1957) – Luís Martins (1907-1981). Esta é a primeira coletânea do escritor, que foi um dos mais profícuos do gênero da crônica, elogiado por Carlos Drummond de Andrade, destacando-se pela agilidade na narrativa, assim como por uma ironia fina, sem deixar de lado o lirismo.

65. Melhores crônicas (2005) – Roberto Drummond (1933-2002). Nesta seleção, o cronista cria o seu cenário em meio às ruas de Belo Horizonte, que lhe fornecem personagens, histórias e reflexões, enquanto se mostra solidário com os sofrimentos alheios e procura fazer justiça com as próprias crônicas.

66. Sombras que sofrem (1934) – Humberto de Campos (1886-1934). O cronista maranhense, que também foi membro da Academia Brasileira de Letras, reúne neste livro crônicas que contam histórias do cotidiano, por vezes de maneira comovente e melancólica, e por vezes tendendo para a ironia.

67. Cortina de ferro (1956) – Marques Rebelo (1907-1973). O livro reúne as crônicas da viagem do autor à Tchecolosváquia e à Rússia, países da então “cortina de ferro”, e contam com uma prosa fina, um lirismo arrebatador e uma ironia tão sutil quanto certeira que permeia todo o livro.

68. Alguém que já não fui (1978) – Artur da Távola (1936-2008). O livro reúne textos cultos e elegantes em que, a partir de episódios do cotidiano, são feitos verdadeiros mergulhos psicológicos e filosóficos que revelam originalidade do pensamento do autor e estimulam a reflexão do leitor.

69. A estranha vida banal (1989) – Ferreira Gullar (1930-2016). Reunindo crônicas publicadas no Jornal da Brasil e no Pasquim, o livro tem como mote a exaltação de pequenos detalhes do cotidiano, tendo também espaço para o humor e a reconstrução de suas memórias em Lima, no Peru.

70. Banquete dos mendigos (1992) – Lindolfo Paoliello (1946-). O livro reúne crônicas simples e sinceras que contam com as principais características do gênero, como a metalinguagem, o diálogo com o leitor, o lirismo, o humor, as reminiscências, o noticiário e a angústia diante dos problemas sociais do país.

71. O brasileiro perplexo (1963) – Rachel de Queiroz (1910-2003). Nesta livro a escritora também fez da crônica território para se falar dos mistérios do Nordeste, sendo vários os textos que tratam da temática sertaneja, muitas vezes por meio de pequenas novelas, sempre envolvendo tipos comuns.

72. Asa de sereia (2013) – Luis Henrique Pellanda (1973-).  Um dos mais expressivos representantes da crônica contemporânea, o escritor se propõe a uma meticulosa reelaboração dos cenários, personagens e histórias que lhe aparecem em Curitiba, em textos que evidenciam toda a dimensão literária do gênero.

73. Dois amigos e um chato (1986) – Stanislaw Ponte Preta/Sérgio Porto (1923-1968). Seleção de 39 crônicas curtas escritas nos anos 1950 e 1960, muitas delas verdadeiros clássicos do humor que foram incorporados ao anedotário popular, como a história da “A velha contrabandista” e a crônica titulo.

74. Ungáua! (2008) – Ruy Castro (1948-). Em um espaço menor do que o geralmente disponível para os cronistas (1.777 caracteres), o escritor consegue se sair muito bem ao abordar assuntos da vida cotidiana e pública no Brasil, sem deixar de lado os textos que falam de música popular e cinema.

75. O louco de palestra (2014) – Vanessa Barbara (1982-). Cronista contemporânea, Vanessa Barbara reuniu nesta seleção crônicas muito divertidas que se vingam do caos urbano por meio do gracejo, galhofa, do exagero e do absurdo, salientando todo o vigor que a crônica mantém em nossos dias.

76. A cidade e os dias (1957) – Lêdo Ivo (1924-2012). Vencedor do prêmio Carlos de Laet, da Academia Brasileira de Letras, a obra reúne textos que se aproximam do conto, através de histórias curtas que retratam a comédia humana carioca e os seus pequenos dramas insuspeitos.

77. Esse inferno vai acabar (2011) – Humberto Werneck (1945-). Também um cultor do gênero da crônica, o jornalista e escritor reúne neste livro textos ágeis e leves, em tom bem humorado, com episódios cotidianos e histórias familiares, repletos de personagens resgatados pela sua observação.

78. O homem que conheceu o amor (1988) – Affonso Romano de Sant’Anna (1937-). Composto por 72 crônicas, escritas de forma elegante e sóbria, o livro conta com o olhar atento e sensível do autor para a vida que o cerca, promovendo reflexões agudas e inteligentes sobre os nossos modos de viver.

79. Morcego em Paris (2007) – Carlos Rafael Guimaraens (1926-1987). Esta obra reúne crônicas escritas pelo jornalista gaúcho entre 1966 e 1987 e publicadas na imprensa local, contemplando viagens a Europa e temas como artes e humanidades, em textos irônicos que dialogam com o espaço do jornal.

80. A rua de nomes no ar (1987) – Ignácio de Loyola Brandão (1936-). Publicado pelo extinto Clube do Livro, o livro reúne visões, sensações, nostalgias, observação do cotidiano, humor, drama, personagens pitorescos que encontramos pelas ruas, mitos, lendas e comparações com a vida das famílias no passado.

81. Crônicas da província do Brasil (1937) – Manuel Bandeira (1886-1968). Reunião de 47 crônicas, o livro compõe um retrato agudo da modernização da sociedade brasileira da primeira metade do século XX, destacando-se pela pela variedade de estilos, desde o ensaio erudito até a “conversa fiada literária”.

82. Breves anotações sobre um tigre (2013) – Mariana Ianelli (1979-). Revelação recente da crônica, a poetisa paulistana reúne neste livro textos curtos, mas cheios de pequenas belezas tiradas da observação do cotidiano, do noticiário, da vida de pessoas que admira ou mesmo de dentro de sua família.

83. Pequenices (2014) – Domingos Pellegrini (1949-). Em um livro de tiragem bastante limitada, o escritor paranaense reuniu algumas das melhores crônicas que publicou na imprensa local, dotadas de grande sabedoria e ditadas por uma filosofia de valorização das coisas pequenas e simples da vida.

84. Eu sei, mas não devia (1995) – Marina Colasanti (1937-).  Com a sua sensibilidade feminina, neste livro a escritora passa por temas como o amor e o sexo, as artes plásticas, o cinema e os problemas sociais, em textos analíticos e maduros, com muitas referências culturais e históricas.

85. Canalha! (2008) – Fabrício Carpinejar (1972-). Um dos raríssimos livros de crônicas a conquistar o Prêmio Jabuti, o livro se propõe a fazer um retrato poético e divertido do homem contemporâneo, dando destaque a temas relacionados à vida sentimental e se transformando em um espécie de conselheiro.

86. Da arte de falar mal (1963) – Carlos Heitor Cony (1926-). Primeira seleção de crônicas do autor, o livro contempla 50 textos publicados originalmente na coluna de mesmo nome no jornal Correio da Manhã, em um estilo bastante fluente e  ao mesmo tempo, divertido, mal-humorado, sagaz e atemporal.

87. Modos de macho & modinhas de fêmea (2003) – Xico Sá (1962-). Em estilo escrachado e divertido, mas nem por isso livre de certa poesia e lirismo, o jornalista e escritor cearense Xico Sá passeia pelos conflitos de relacionamentos em uma época em que a mulher assume nova postura na sociedade.

88. Os filhos da Candinha (1943) – Mário de Andrade (1893-1945).  Com 43 textos selecionados pelo próprio autor, o livro representa um “momento de libertação” do escritor, e contempla suas preocupações com a renovação da poesia, a luta contra os totalitarismos e os dilemas da modernização do Brasil.

89. Antes de Madonna (1994) – Raul Drewnick (1938-). Composto por crônicas publicadas no Estado de São Paulo, o livro conta com pequenas histórias do cotidiano, assim como reminiscências do autor, em que se destacam o bom humor e a poesia, capazes de torná-lo um dos grandes cronistas de sua geração.

90. As velhinhas de Copacabana (2013) – David Coimbra (1962-). Nesta coletânea, o jornalista e escritor gaúcho se destaca pelas construções narrativas e por uma sensibilidade notável, nascida da sua grande capacidade de observação, em textos bonitos e salpicados pelo seu conhecido senso de humor.

91. Pensar é transgredir (2004) – Lya Luft (1938-). Neste livro, composto por 50 crônicas, a maior parte publicada na imprensa e outros inéditos, a escritora gaúcha se destaca pela capacidade de promover a reflexão e o questionamento, visando com isso evitar a adesão a um “espírito de manada”.

92. O homem ao lado (1958)Sérgio Porto (1923-1968). Se o seu alter ego Stanislaw Ponte Preta se destacava pelo humor, as crônicas que Sérgio Porto assinou entre 1952 e 1956 e reuniu nesta livro tem como qualidade maior o lirismo, a visão decantada e melancólica da passagem do tempo e das coisas.

93. O retorno e terno (1992)Rubem Alves (1933-2014). Cronista bastante popular, Rubem Alves se apresenta nesta coletânea em crônicas impregnadas de uma visão filosófica e poética do mundo, tentando conceituar grandes temas como o amor, a sabedoria, o riso, a alegria a morte e os golpes da vida.

94. Entre a boca da noite e a madrugada (2007) – Milton Dias (1919-1983). Essencialmente lírico, as crônicas do escritor cearense são povoadas de personagens reais e marcados por uma visão fraternal de mundo, na medida em que reconstrói, com nostalgia, a cidade de Fortaleza dos seus tempos.

95. A morte sem colete (1983) – Lourenço Diaféria (1933-2008). Preso por conta de uma crônica no período militar, o escritor e jornalista paulista reúne neste livro 41 crônicas inspiradas em histórias do dia-a-dia, em que os personagem são pessoas comuns vivenciando o drama de suas existências.

96. Águas-fortes cariocas (2013) – Roberto Arlt (1900-1942). Único estrangeiro nesta lista, o escritor argentino Roberto Arlt esteve no Rio de Janeiro em 1930 e, neste período, produziu uma série de crônicas que apresentam um retrato muito pessoal e franco do Brasil e da Argentina dessa época.

97. Aleluia (1979) – Marisa Raja Gabaglia (1942-2003). Muito elogiada por Rubem Braga, a jornalista e escritora paulista reúne neste livro crônicas publicadas pelo jornal Última Hora, em textos que são marcadamente pessoais e nos quais se sobressai um olhar bastante poético da realidade e de si mesma.

98. Feliz por nada (2011) – Martha Medeiros (1961-). Mais bem sucedida coletânea da famosa cronista gaúcha, a obra conta com textos assumidamente simples em que, a partir de sua visão de mundo, a autora insinua caminhos a se seguir diante de situações típicas da vida que afetam a todos nós.

99. A grande ilusão (1992) – Luiz Fernando Emediato (1951-). Única incursão do escritor e editor pelo gênero, a obra reúne crônicas escritas na segunda metade dos anos 80 para o Estado de São Paulo,  nas quais se destaca uma grande sinceridade, dividida entre o lirismo pueril e a indignação contundente.

100. Às quintas (1924) – Coelho Neto (1864-1934). O prolífico escritor reúne neste livro crônicas que escreveu para a imprensa carioca entre 1921 e 1923, em textos que se destacam pela escrita elaborada, a riqueza vocabular, a adjetivação abundante e a sua busca por  uma identidade nacional.

101. Crônicas de um fim de século (1999) – Zuenir Ventura (1931-). O escritor e jornalista reúne neste livro os melhores textos que escreveu entre 1995 e 1999 para o Jornal do Brasil, O Globo e revista Época, destacando-se por reflexões instigantes sobre o cotidiano e corajosa lucidez nos comentários.

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