Browsing All posts tagged under »Guilherme Tauil«

Humanos, esses animais [Guilherme Tauil]

fevereiro 28, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* Não entendia aquele cachorro se esfregando na grama enquanto eu resolvia questões de física. Entretido apenas com o mato, rodava, mordia o ar, caçava algo que não existia. Achei uma vida muito besta a do cão, essa de enfiar o focinho na lama, rodopiar sem motivo, rosnar à toa. Quando […]

O cérebro da minha avó [Guilherme Tauil]

fevereiro 14, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* Só fui entender que havia algo de grave com minha avó quando ela me preparou um sanduíche de queijo sem queijo. Alheia a qualquer traço de preocupação, a criança não podia reconhecer a gravidade que passou a envolver os jantares da família. Todos se perguntavam o que seria feito da […]

Pequenos donos do mundo [Guilherme Tauil]

janeiro 31, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* Napoleão não morreu. Quer dizer, morreu há quase duzentos anos, numa ilhazinha muito distante. Mas seu espírito sobreviveu e se espalhou pelo mundo. Seus descendentes espirituais não são mais franceses, nem são baixinhos e muito menos montam cavalos brancos que não são brancos. Mas todos trazem no peito uma herança […]

Desacontecimentos [Guilherme Tauil]

janeiro 17, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* Eu devia ter uns cinco anos quando me desentendi com um colega de escola e lhe dei um tapa na cara. Tivessem registrado a cena, a sequência de fotos seria mais ou menos assim: a primeira mostraria o rapaz com o rosto virado, minha mão colada em sua face e […]

Minha lagartixa de estimação [Guilherme Tauil]

janeiro 3, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* Para evitar a verborragia alheia, gosto de ficar sozinho de vez em quando. Mesmo dominando a técnica de desligar a mente quando o assunto não me convém, balançando a cabeça em momentos estratégicos, tem hora que não dá. É preciso desligar o ouvido. Como dizem, o homem moderno perdeu o […]

Um vão no calendário [Guilherme Tauil]

dezembro 20, 2016

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* A semana entre o Natal e o Réveillon é a única que não faz sentido em todo o ano. Remotamente aparentados com o período entre o Ano-novo e o Carnaval, estes cinco dias são a síntese da inércia humana, e atravessá-los é tão incômodo quanto andar num corredor estreito de […]

A arte do elogio dúbio [Guilherme Tauil]

dezembro 6, 2016

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* A amiga se senta ao lado da dona do restaurante, tira os talheres do saquinho e diz: “sabe, Lurdinha, o que eu gosto mesmo na sua comida é que nela nada se sobressai.” Dona Lurdes, feliz proprietária de um quilo que serve comida árabe às quartas e japonesa às quintas, […]