Browsing All posts tagged under »Guilherme Tauil«

Desacontecimentos [Guilherme Tauil]

janeiro 17, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* Eu devia ter uns cinco anos quando me desentendi com um colega de escola e lhe dei um tapa na cara. Tivessem registrado a cena, a sequência de fotos seria mais ou menos assim: a primeira mostraria o rapaz com o rosto virado, minha mão colada em sua face e […]

Minha lagartixa de estimação [Guilherme Tauil]

janeiro 3, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* Para evitar a verborragia alheia, gosto de ficar sozinho de vez em quando. Mesmo dominando a técnica de desligar a mente quando o assunto não me convém, balançando a cabeça em momentos estratégicos, tem hora que não dá. É preciso desligar o ouvido. Como dizem, o homem moderno perdeu o […]

Um vão no calendário [Guilherme Tauil]

dezembro 20, 2016

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* A semana entre o Natal e o Réveillon é a única que não faz sentido em todo o ano. Remotamente aparentados com o período entre o Ano-novo e o Carnaval, estes cinco dias são a síntese da inércia humana, e atravessá-los é tão incômodo quanto andar num corredor estreito de […]

A arte do elogio dúbio [Guilherme Tauil]

dezembro 6, 2016

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* A amiga se senta ao lado da dona do restaurante, tira os talheres do saquinho e diz: “sabe, Lurdinha, o que eu gosto mesmo na sua comida é que nela nada se sobressai.” Dona Lurdes, feliz proprietária de um quilo que serve comida árabe às quartas e japonesa às quintas, […]

A mão que molha as outras [Guilherme Tauil]

novembro 22, 2016

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil*  Há gente que nasce para brilhar e gente que nasce para suar. Falo da hiperidrose, uma doença que faz o sujeito transpirar mais do que deve, geralmente em algum ponto específico. É disfunção biológica, mas podia ser maldição divina. Eu e mais 1% da população temos as mãos sempre molhadas. […]

Mapa sentimental do pudim [Guilherme Tauil]

novembro 8, 2016

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* Quem me visse perambulando pela cidade com um caderno, poderia desconfiar que estivesse caçando pistas de um crime passional. Ou desenhando esboços daqueles pombos horríveis que assolam o mercado, incapazes de diferenciar uma berinjela murcha de uma lasca de pedra – aos olhos de um pombo, tudo é triste igual. […]

Televisão de avó [Guilherme Tauil]

outubro 25, 2016

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* Quem entende do assunto provavelmente vai me achar louco. Um místico disparatado. Mas acontece que aprendi a me relacionar com minha rede de internet. Como se tivesse personalidade própria, consigo identificar alguns sinais nem sempre à mostra. Mais ou menos igual a observar um homem feliz mas adivinhar-lhe um filete […]

A primeira vez que me apaixonei por você [Guilherme Tauil]

outubro 11, 2016

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* A primeira vez que me apaixonei por você, saímos esfomeados do cinema, reclamamos que não tinha nada de bom por perto, topamos entrar num lugar qualquer e você pediu omelete completo com bastante queijo. A primeira vez que me apaixonei por você, perguntei para que lado ficava a praça Roosevelt, você não entendeu […]

Isso é de comer? [Guilherme Tauil]

setembro 27, 2016

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* Não entendi nada na primeira vez que vi alguém entrar numa doceria e pedir um pedaço de Manezinho Araújo. “Não tem ninguém com esse nome”, respondeu o vendedor, depois de alguns segundos de silêncio constrangedor. O cliente deu risada, achou que estava brincando, e insistiu, apontando a torta de banana […]

De madrugada [Guilherme Tauil]

setembro 13, 2016

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* Os moradores da Vila Buarque, em São Paulo, já se acostumaram ao canto dos sabiás de madrugada, quando não é necessário competir com o barulho da metrópole. Mas há uma nova espécie se manifestando na calada da noite. Diariamente, tem causado estranhamento com seu grito solitário, entoado mais ou menos […]