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A arte do trote telefônico [Guilherme Tauil]

junho 20, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Alô. Ninguém respondeu. Insisti: alô. Nada. Perguntei quem era e uma voz de criança esbravejou que não era nin­guém que me interessasse e desligou. Eu tinha acabado de ser alvo de um trote telefônico, traquinagem que pensava ter sido extinta pela disseminação dos identificadores de chamada, e como há muita gente que […]

O velho taxista [Guilherme Tauil]

junho 6, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Sem ônibus disponível e sem sola que aguentasse a chuva, fiz sinal para um táxi. Parou, entrei, pedi desculpas pelo guarda-chuva molhado e o motorista se riu: “Já peguei gente ensopada de sangue, essa aguinha não é nada”. Era um senhor de bigode contido, de pele manchada pelo tempo e de óculos […]

O móvel do amor [Guilherme Tauil]

maio 23, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) O leitor que me acompanha já deve estar se cansando de ler sobre Chico Buarque, a quem recorro com frequência. Desculpe, mas vou usá-lo novamente. Se houvesse mais tempo, pensaria em melhor assunto, mas usei muito do meu ócio da semana arrumando discos de vinil, o que é uma praga. Assim como […]

Os demônios poliglotas [Guilherme Tauil]

maio 9, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Não sou um bom leitor da Bíblia, mas tenho curiosidade sobre algumas questões metafísicas. Como não sei o e-mail do papa, resolvi escrever a crônica sobre uma inquietação celestial – ou melhor, infernal. Já reparou como os demônios, seres ancestrais, só se comunicam em línguas igualmente antigas? São retratados como falantes de […]

Um cigarro à toa [Guilherme Tauil]

abril 25, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Ontem fumei um cigarro sem motivo pela primeira vez. Socialmente já devo ter pitado vez ou outra, eventualmente posso ter pedido um trago numa noite fria, e é provável que não tenha feito desfeita com o charuto cubano que me presentearam – mas nunca tinha acendido um cigarro à toa. Não sei […]

Em casa, longe de casa [Guilherme Tauil]

abril 11, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Há qualquer coisa de jeca em ser caipira na cidade grande. Olho para toda camionete prata que passa na esperança de ver minha mãe, a mais de cem quilômetros daqui. Aos poucos, o interiorano vai perdendo sua inocência, tão contrastante com a megalomania de São Paulo. Eu me lembro de uma senhorinha […]

Epopeia do desajustado [Guilherme Tauil]

março 28, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) De todo tipo de gente com que esbarro na rua, o desajustado é o que mais me comove. Não estou falando do desajeitado nem do descolado: o desajustado é aquele que, andando um pouco torto, sempre meio pra lá, meio pra cá, vive uma epopeia cabisbaixa que não interessa a ninguém. O […]

Sobreviventes do verão [Guilherme Tauil]

março 14, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* Houve um tempo em que me incomodava com o fato de os bebedouros estarem sempre ao lado dos banheiros públicos. Tinha certeza de que, em algum ponto, as águas se cruzavam no encanamento. Não sabia nada de hidráulica, continuo não sabendo, mas hoje sei um pouco mais sobre a vida […]

Humanos, esses animais [Guilherme Tauil]

fevereiro 28, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* Não entendia aquele cachorro se esfregando na grama enquanto eu resolvia questões de física. Entretido apenas com o mato, rodava, mordia o ar, caçava algo que não existia. Achei uma vida muito besta a do cão, essa de enfiar o focinho na lama, rodopiar sem motivo, rosnar à toa. Quando […]

O cérebro da minha avó [Guilherme Tauil]

fevereiro 14, 2017

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(Imagem: Bernardo Ceccantini) Guilherme Tauil* Só fui entender que havia algo de grave com minha avó quando ela me preparou um sanduíche de queijo sem queijo. Alheia a qualquer traço de preocupação, a criança não podia reconhecer a gravidade que passou a envolver os jantares da família. Todos se perguntavam o que seria feito da […]