– Bom dia, meu anjo!

– Bom dia… Espera… O que estamos fazendo aqui?

– Nada de especial, mas algo raro. Somos, eu e você, os personagens do cronista no primeiro texto de 2021. Lembra-se?

– Nossa! Eram nove horas da manhã do dia primeiro de janeiro, agora lembrei!

– E cá estamos nós, às nove horas da manhã do dia 31 de dezembro.

– Isso não pode ser vazio de significado. Deve haver um propósito, não acha?

– Você diz uma motivação…

– TRANSCENDENTAL!

– Não sei, não sei. Os leitores nem lembram mais de nós. Precisarão olhar em https://rubem.wordpress.com/2021/01/01/dia-primeiro-rubem-penz/ para refrescar a memória.

– Já eu tenho outra teoria: estivemos presentes em cada linha do autor durante este ano. Assopramos inspirações, fizemos reparos em seus textos, vibramos com comentários queridos e, escondidos, vimos alguns sorrisos de quem leu sem comentar.

– Você se tem em alta conta. Invejo.

– Ah, é? E qual seria sua explicação para nosso retorno?

– Beeeem prosaica.

– Qual? Qual?

– Dar para o ano, enfim, um ponto final.

__________

Rubem Penz, nascido em Porto Alegre, é escritor e músico. Cronista desde 2003. Entre suas publicações estão “O Y da questão” (Literalis), “Enquanto Tempo” (BesouroBox) e “Greve de Sexo” (Buqui). Sua oficina literária, a Santa Sede – crônicas de botequim, dez antologias, foi agraciada com o Prêmio Açorianos de Literatura 2016 na categoria Destaque Literário. Na RUBEM escreve quinzenalmente às sextas-feiras.