Posição [Marco Antonio]

Posted on 06/11/2019

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Preciso fazer algo, não posso deixar assim, será que consigo, desde o início a pressão, exige resposta à altura, pra cada pergunta uma resposta, onde estou vejo melhor, o que importa é estar bem, lugar da gente é onde a gente ama, melhor ser feliz, mesmo que por cinco minutos, a vida é uma luta, mas tem quem ache que é um jogo, no fim da partida as peças voltam pra mesma caixa, mais legal se trocar a frase, ninguém é melhor do que ninguém, uns mais do que outros, mas não carregam nada para o cemitério, que susto, tira essa palavra daqui, olha que soletro, c-e-m-i-t-é-r-i-o, e o bem está feito, não importa a quem, não se fala mais nisso, que fala bonita, se gostou não foi tão boa, é contra mim a treta, não me venha com treta, então assuma o seu lugar, vou quando terminar o que tenho de fazer, mas se a história é essa, que história, você está morrinhando, o que quer dizer, está demorando, estou o quê, esquece tudo, move logo, fica me apressando, vontade é te largar quando faz isso, abandonar no meio não resolve, claro que não largo, mas fica ameaçando, vou ameaçar te dar um beijo, pronto, e um abraço, tá bom, vem, mexi.

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Marco Antonio é carioca, escritor e cronista. Publicou os contos de “Capoeira angola mandou chamar”, a novela “Cara preta no mato” em ebook, e participou das coletâneas de contos “Clube da Leitura – volume III”, “Escritor Profissional – volume 1” e “Clube da Leitura – volume 4”. Escreve crônicas para a RUBEM desde 2014. Em 2018 lançou “O gato na árvore”, pela Editora Moinhos. Suas crônicas saem quinzenalmente às quartas-feiras. 

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