Frases no saldão [Raul Drewnick]

Posted on 25/08/2019

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Mulher opulenta: os homens de sua vida são mais de cinquenta.

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Que desagradáveis são os fantasmas que, não se habituando ao fuso horário, vêm nos assombrar ao meio-dia, em vez da meia-noite, e chegam tropeçando em tudo, bêbados de saquê.

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Devemos servir à poesia com fervor, como se tivéssemos algo a lhe dar além de nossa presunção e nossa mediocridade.

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Há quem encare o amor com olhos de secretário de vias públicas e julgue que tudo se resume em tapar buracos.

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Os que morrerão de amor ainda não sabem, mas já há quem note como vão se parecendo cada dia mais com os tolos e os mártires.

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Quem nasce drewnick não morre leminski.

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Um erro muito comum entre escritores é o de julgarem que estão a todo momento obrigados a dizer alguma coisa.

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Triste é pensar que os mortos não ouvem mais Chopin.

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Os poetas têm uma vantagem: pelo menos no começo, os leitores esforçam-se para ver algo de especial neles, ainda que seja só o cavanhaque.

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A literatura é coisa séria, sim. Mas não exageremos. Ela não é, como gostaríamos, mais importante que a vida.

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O nome atribuído ao rumo depende do fim da história: o do medíocre é caminho, o do herói é trajetória.

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Se eu fosse me analisar, diria que continuo sendo um tolo, cada dia mais consciente.

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Os parnasianos guardavam as rimas ricas num cofre trancado com chave de ouro.

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Não tenha pressa: o passado, o presente  e o futuro não são mais do que vida pregressa.

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O sexto sentido acha que já é tempo de ser promovido.

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Quando eu confiar mais em você, pode ser que lhe mostre minha tristeza. Um dia exibi meu amor e foi como se um palhaço caísse de ponta-cabeça no picadeiro.

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O amor tem mais contra que indicações.

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Raul Drewnick é jornalista, trabalhou 32 anos no Estado de São Paulo e na antiga revista Visão. Escrevia crônicas para o Caderno2 e para o caderno Cidades do Estadão, além da Vejinha/São Paulo, Jornal da Tarde e o antigo Diário Popular. Escreveu os livros de crônicas “Antes de Madonna” (Editora Olho d’Água) e “Pais, filhos e outros bichos” (Lazuli/Companhia Editora Nacional), além de ter feito parte de coletâneas e antologias. Possui um livro de contos e duas dezenas de novelas juvenis. Na RUBEM, escreve quinzenalmente aos domingos. 

 

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Posted in: Crônicas