Nesta data querida [Madô Martins]

Posted on 26/07/2019

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Quando amigas da mesma geração me falavam dos netos, descrevendo suas habilidades, gracinhas e transgressões, mostrando fotos no celular ou guardadas com cuidado na carteira, eu costumava pensar: será que não têm outro assunto? será que não têm vida própria? Ficava irritada com aquelas mulheres vibrantes e criativas então reduzidas ao doméstico status de avós, felizes com isso.

Mas tempo é escola. Quis o acaso que também eu me tornasse avó e a data desta crônica coincidisse justamente com o Dia dos Avós. Como as amigas, tenho muitas fotos, no celular, do neto em várias idades. Como elas, falo dele sorrindo e cheia de orgulho. E, se vejo alguma criança parecida, a saudade aperta, ainda que morando na mesma cidade.

O garotão nasceu privilegiado: filho de filho único, primeiro neto nas famílias materna e paterna, com pais amorosos, dedicados, tios encantados e avós que ele domina com desenvoltura. Naquela casa, adultos só conversam quando está dormindo, porque tudo gira em torno dele (e ninguém reclama).

Nunca assisti a tantos desenhos e clips, como agora. Sei de cor um punhado de músicas infantis, que cantamos juntos. São prazeres autênticos ir buscar a chupeta, o suco, a água, dar-lhe iogurte na boca, segurar a banana e assistir a suas mordidas exageradas. E quando ele acena para pedir algo ou me leva pela mão até o brinquedo ou quitute desejado, o coração se aquece e agradeço ao universo a sorte de tê-lo entre nós.

Como tudo isso acontece rotineiramente, todo dia acaba sendo Dia dos Avós. Mas a verdade lapidar, mesmo, é que todo dia é Dia dos Netos…

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Madô Martins é escritora e jornalista, com 15 livros publicados e mais de 900 crônicas impressas aos domingos no jornal A Tribuna, de Santos/SP. Na RUBEM, escreve quinzenalmente às sexta-feiras.

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