Escrever é luxo [Elyandria Silva]

Posted on 02/04/2019

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A escrita e a literatura moldaram o mundo em que vivemos. Temos ideias próprias, opiniões, visão racional interna porque alguém ousou a experiência de registrar a palavra no papel.

O endereço exato onde o pensamento estaciona e a continuação do seu percurso é definido pela escrita. É nesse lugar que todos deveriam chegar a qualquer momento, sem dificuldades. Ali, naquela linha do mapa, o esconderijo de quem fala a mesma língua. Uma língua nativa do planeta dos pensadores e dos escritores, onde pequenos e grandes acontecimentos de escrita acontecem com frequência.

Há tanta loucura no mundo, tantos desencontros de valores e ausência de fazer o certo que as deslocações de todo o tipo nos arrastam com violência em busca de algo que traga respostas, esvaziamentos, novidades. O conhecimento apaga o fogo da ansiedade quando a escrita mostra uma nova saída para a inércia intelectual.

O luxo se define pela exclusividade de ter, ser ou fazer o que ninguém mais faz, é ou tem. A salvação que a maioria busca de não ser igual a todo mundo, de se destacar por ser diferente, mas só para o belo, nunca para o feio, os faz agir.

Ter conhecimento é poder. Escrever é luxo. Pensar é ser rico. Um trio que poucos têm porque está na contramão de materialismos e futilidades, contudo é uma das únicas formas de impulsionar a própria vida para uma lucidez que seja capaz de um isolamento sadio das mazelas do mundo e de si próprio.

Sim, eu acredito e vivo a premissa de que escrever bem é o luxo do presente e do futuro.

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Elyandria Silva é escritora, autora de “Labirinto de Nomes” (Moleskine, 2012), “Fadas de pedra” (Design Editora, 2009, Contos) e de “Um lugar, versos e retalhos” (Design Editora, 2010, poesia). Escreve para o Correio do Povo e tem textos publicados nas coletâneas “Contos jaraguaenses” (Design Editora, 2007), “Jaraguá em crônicas” (Design Editora, 2007), “Palavra em cena” (Design Editora, 2010, Dramaturgia), “Preliminares” (Sesc, 2009, Contos e Poesia) e “Mundo infinito” (Design Editora, 2010, Contos). Na RUBEM, escreve quinzenalmente às terças-feiras.

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Posted in: Crônicas