Vestígios para o caminho de volta [Elyandria Silva]

Posted on 05/03/2019

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Algumas vezes achei o caminho de volta, outras não. Sempre cheguei e isso é o que realmente importa.

O caminho para voltar é sempre o mais fácil de encontrar e de percorrer porque já passamos por ele. O problema é quando não guardamos as referências e nos perdemos.

No meu novo livro de poesia, Vestígios para o caminho de volta, as poesias assumem a minha identidade, a tua, a de meninas, de tantas outras mulheres, na voz rouca dos sentimentos velados, doloridos, de sonhos femininos que se espatifaram, de mães e filhas vencidas pelo silêncio, de lindas jovens que se anularam, rasgadas por um mundo com um tom masculino demais. É um tom gelado, mafioso, se alimenta de um universo feminino até então enfraquecido, constipado, mas que agora se une e desperta para uma intensa redescoberta do passado.

Vestígios para o caminho de volta percorre um trajeto sem certezas, apenas codifica versos, apunhala verdades, constrói respostas sobrepostas, com palavras fortes, também doces, as quais podemos nos agarrar sem medo, nos proteger. Não sou nem quero ser perfeita, mas aqui, nesse livro, consegui delinear certa perfeição ao encontrar, nas palavras, um lugar que nos conte ao mundo, que nos empondere. Uma curva no caminho que nos transporta para tantas vidas possíveis que soa quase inacreditável, mas é absolutamente real, basta procurar e achar pistas.

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Elyandria Silva é escritora, autora de “Labirinto de Nomes” (Moleskine, 2012), “Fadas de pedra” (Design Editora, 2009, Contos) e de “Um lugar, versos e retalhos” (Design Editora, 2010, poesia). Escreve para o Correio do Povo e tem textos publicados nas coletâneas “Contos jaraguaenses” (Design Editora, 2007), “Jaraguá em crônicas” (Design Editora, 2007), “Palavra em cena” (Design Editora, 2010, Dramaturgia), “Preliminares” (Sesc, 2009, Contos e Poesia) e “Mundo infinito” (Design Editora, 2010, Contos). Na RUBEM, escreve quinzenalmente às terças-feiras.

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Posted in: Crônicas