Outro Homem [Alexandre Brandão]

Posted on 08/07/2018

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(Imagem: Átila Roque)
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Para os novos avós: Neide e Guido, Sandra e Adelino

Não vou dizer flor. Tampouco água, ainda que potável. Os dias não estão nem para um nem para outro. Digo pedra, e imediatamente penso que as pedras são tão delicadas quanto a flor e a água. É a mão do Homem que a transforma em arma. É a mão do Homem.

Então digo Homem. Digo a mão do Homem e do que ela é capaz: atirar a pedra, esculpir na pedra uma arma perfurante, atirar a pedra impulsionada por um estilingue. E matar o pássaro. E matar o réptil. E matar seu semelhante, embora não o mate por fome nem o mate para comê-lo.

A flor, na mão do Homem, é apenas o perigo dos espinhos. E a água potável, um instrumento de tortura.

Não vejo saída. Mas…

Nasceu a Luísa, nasceu o Henrique, e o homem e a mulher não estão plenamente prontos em meus sobrinhos-netos, nos filhos de meus amigos. Cândido, penso que em breve direi flor, água, pedra e, com encanto, Homem. Outro Homem.

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Alexandre Brandão é autor, entre outros, de “O bichano experimental” (Editora Patuá, 2017), uma seleção de suas crônicas, algumas publicadas aqui na RUBEM, e de “Qual é, solidão?” (Editora Oito e Meio, 2014). Além de escrever crônicas no CNP Notícias, jornal de sua cidade natal, Passos (MG), tem contos e crônicas publicados em revistas eletrônicas como Pessoa, Cruviana e Germina e na InComunidade (de Portugal). Participa do grupo Estilingues (www.facebook.com/estilingues), que publica livros de contos para circular fora do círculo comercial. Na RUBEM, escreve quinzenalmente aos domingos.

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Posted in: Crônicas