Pedra, papel e tesoura* [Rubem Penz]

Posted on 13/04/2018

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Pedra – voa contra o para-brisa

Papel – tenta (em vão?) justificar muitas coisas

Tesoura – corta relações

Pedra – de isqueiro

Papel – perdido em tantos incêndios

Tesoura – parte o triste sido

Pedra – serve como base para alicerce

Papel – serve como base para lei

Tesoura – somos nós no fio da navalha

Pedra – subo para ver mais longe

Papel – cuido em ver mais de perto

Tesoura – minhas escolhas

Pedra – é por vezes obstáculo

Papel –asas, por outras se transforma

Tesoura – poda nossas asas

Pedra – clichê: quando não rola cria limo

Papel – clichê: em branco, melhor não assinar

Tesoura – fora do tracejado, escapa?

Pedra – lapidada, corta

Papel – nas bordas, corta

Tesoura – veja, está cega

Pedra – afia a tesoura

Papel – envolve a pedra

Tesoura – corta o papel

Perder ou ganhar. Sem burlar as regras do jogo.

*Crônica livremente inspirada em Paulo Mendes Campos

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Rubem Penz, nascido em Porto Alegre, é escritor e músico. Cronista desde 2003, atualmente está nas páginas do jornal Metro. Entre suas publicações estão “O Y da questão” (Literalis), “Enquanto Tempo” (BesouroBox) e “Greve de Sexo” (Buqui). Sua oficina literária, a Santa Sede – crônicas de botequim, dez antologias, foi agraciada com o Prêmio Açorianos de Literatura 2016 na categoria Destaque Literário. Na RUBEM escreve quinzenalmente às sextas-feiras.

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