Microcontos candangos [Daniel Cariello]

Posted on 20/04/2017

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Tesourinha
Ela, L2. Ele, W3. Esbarraram-se na tesourinha, dezenove e trinta, distraídos pela música alta. Ela, Legião. Ele, Little Quail. Batida boba, sorrisos bobos, trocaram whatsapp, escreveram-se do carro. Ela, vamos resolver isso agora? Ele, vamos. Ela, Beirute? Ele, sul ou norte?

Eixo
Rodou em frente ao Cine Brasília. Perdeu os dentes, mas a alma publicitária permaneceu intacta. Vendo o carro destruído, enxergou o slogan perfeito para a campanha do festival feminino de dança de Planaltina: “Saia do eixo”.

Arnica
Era um melancólico incurável. Morria de saudades de cruzar o cara da arnica no Grande Circular.

Satélites
Entreouvido em Sobradinho:
– Vamos ver a lua cheia?
– Na sua casa ou na minha?

Jazz
Mandaram pegar a agulhinha para chegar ao Buraco do Jazz. Apareceu de kit de costura, capacete e lanterna. Confirmou que jamais falaria brasilianês.

Rolo
Na Feira do Rolo, o boyzinho trocou seu iPhone pelo direito de voltar pro Plano.

Cobogó
“Bem me disseram que eu veria o sol nascer quadrado”, pensa o senador, contemplando o amanhecer pelo cobogó da cobertura duplex.

Dom Bosco
– Você conhece a história de Dom Bosco? – pergunta o religioso.
– Não, mas sempre que vou peço um mate e uma dupla – responde o coroinha.

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Daniel Cariello já foi office-boy, guitarrista e tecladista em banda de rock, publicitário, jornalista e escritor, além de cronista para veículos como Le Monde Diplomatique online, Meia Um e Veja Brasília. Lançou dois livros de crônicas pelo selo Longe, do qual é um dos criadores. Colabora com a RUBEM às 5ª feiras. 

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Posted in: Crônicas