A queima-roupa [Rubem Penz]

Posted on 03/02/2017

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Rubem Penz*

·         Sempre que dois amigos fazem uma aposta, ambos perdem.

·         A insistência, dependendo do resultado, será vista como teimosia ou perseverança.

·         Quer aprender a ser mais generoso? Espelhe-se nos menos favorecidos.

·         Uma das melhores coisas do mundo é ter a humildade de ficar feliz com a felicidade do outro, a grandeza de entristecer-se com a tristeza do outro e a inteligência de ser indiferente à indiferença que o outro reserva a você.

·         Novos ditados: quando um não quer, dois advogados perdem o emprego.

·         Serei breve: para começo de conversa, fim de papo.

·         Sacudi a árvore e não caíram seus frutos. Chutei-a com toda força sem resultado. Maldisse o destino, bradei contra os céus – tudo em vão. Então, fui aos livros para descobrir se, por acaso, ao menos era época…

·         Quem só olha o voo do pássaro perde o crescer da árvore.

·         Juras falsas guardam sinceridades impossíveis.

·         A contradição é, disparado, o menor caminho entre dois pontos.

·         Nunca se furte em remunerar o artista. É impossível bater palmas de mão fechada.

·         Engana-se quem diz que os avanços são resultados do processo de tentativa e erro. São, na verdade, resultados do processo de erro e tentativa.

·         Todo amor é terno.

·         Uns tomam a chave da questão para fechar o raciocínio, outros para fugir do assunto.

·         Pai, diz o filho, você disse que era impossível e eu fiz! Filho, responde o pai, guarde bem essa lição para ajudar meus netos.

·         Até mesmo quando falta fé, ela é o que nos sobra. Ou especialmente nesta hora.

·         O fracasso é o sucesso que desanda. E vice-versa.

·         Quando o homem toma para si o direito de ter a última palavra, esquece que está entregando os pontos.

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* Rubem Penz, nascido em Porto Alegre, é escritor e músico. Cronista desde 2003, atualmente está nas páginas do jornal Metro. Entre suas publicações estão “O Y da questão” (Literalis), “Enquanto Tempo” (BesouroBox) e “Greve de Sexo” (Buqui). Sua oficina literária, a Santa Sede – crônicas de botequim, dez antologias, foi agraciada com o Prêmio Açorianos de Literatura 2016 na categoria Destaque Literário. Em RUBEM escreve quinzenalmente às sextas-feiras.

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Posted in: Crônicas