A França em torno do umbigo [Daniel Cariello]

Posted on 12/01/2017

0



Daniel Cariello*

Eu sou o Daniel. Moro em Paris. Paris fica na França. A França é o país da Torre Eiffel. A Torre Eiffel foi construída para a exposição universal de 1889. A exposição universal de 1889 foi feita em homenagem aos 100 anos da queda da Bastilha. A Bastilha era uma prisão que foi destruída na Revolução Francesa. A Revolução Francesa foi quando os parisienses tomaram gosto pela trilogia de liberdade, igualdade e fraternidade e também pela decapitação real. Na decapitação real, dançaram feio o Rei Luís XVI e sua esposa Maria Antonieta. Maria Antonieta foi aquela que falou ao povo: “Já que não há pão, comam brioches”. O brioche nasceu na região da Normandia. A Normandia tem ótimos crepes e foi o local do desembarque das tropas aliadas, decisivo para o fim da II Guerra Mundial. Na II Guerra Mundial, a França do Marechal Pétain colaborou com o bigodudo Hitler e os alemães. Os alemães disputaram e perderam para os franceses, no século XIX, o controle de Estrasburgo. Em Estrasburgo moraram Mozart, Pasteur, Gutemberg e Calvino, este um dos líderes da reforma da igreja católica. A igreja católica é aquela que fala sobre desprendimento, mas nunca deixou de cobrar o dízimo. O dízimo também era exigido por muitos reis da antiguidade. A antiguidade é um tempo que passou há muito tempo. O tempo, dizia o francês Nostradamus, é apenas a decomposição da matéria. Entre as matérias da escola, eu detestava biologia vegetal, mas adorava geometria. A geometria deve muito a René Descartes, um dos pais da filosofia moderna. A modernidade é um tempo que ainda está passando. Quem passa as roupas na casa dos meus pais é a dona Evandete, toda quinta-feira. Quinta-feira em francês se diz jeudi, que significa “dia de Júpiter”, em latim. O latim é a língua que deu origem, entre outros, ao português, ao espanhol, ao romeno, ao catalão, ao francês e ao italiano. Franceses e italianos não se cansam de se agredir mutuamente. Uma agressão recente foi a cabeçada de Zidane no zagueiro Materazzi. Materazzi foi um dos destaques da seleção italiana campeã de 2006. Dois mil e seis foi o ano do rato. O francês Blek, o Rato, usa estêncil para fazer incríveis grafites na rua. A rua é o lado de fora da casa. Minha casa é um apartamento, mas antes era um “apertamento”. Um “apertamento” é uma piada sem graça. Outra piada sem graça é a do “não, nem eu”. Eu sou o Daniel. Moro em Paris.

Esse texto faz parte do livro Chéri à Paris, lançado em 2013 pelo selo Longe.

_________

Daniel Cariello já foi office-boy, guitarrista e tecladista em banda de rock, publicitário, jornalista e escritor, além de cronista para veículos como Le Monde Diplomatique online, Meia Um e Veja Brasília. Lançou dois livros de crônicas pelo selo Longe, do qual é um dos criadores. Colabora com a RUBEM às 5ª feiras. 

Anúncios
Posted in: Crônicas