Melhor livro de crônicas do Jabuti não é de crônicas

Posted on 11/11/2016

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Mais uma vez, o Prêmio Jabuti decidiu premiar um livro de contos como o melhor livro de crônicas do ano anterior. Isso porque a premiação insiste em colocar contos e crônicas na mesma categoria, o que quase sempre resulta em um contista como vencedor.

Na edição deste ano, o prêmio ficou com Natalia Borges Polesso, com o livro “Amora” (Não Editora). O segundo lugar ficou, aí sim, com o cronista Luis Fernando Verissimo, autor de “As mentiras que as mulheres contam“. Normalmente, apenas o Verissimo consegue se intrometer no meio dos livros de contos premiados pelo Jabuti.

Na edição deste ano, apenas 2 dos 10 finalistas da categoria eram cronistas. O outro era Raymundo Netto, com “Crônicas absurdas de segunda” (Edições Demócrito Rocha, 2015).

A insistência por uma categoria única para contos e crônicas não se justifica sob o ponto de vista teórico – antes, parece ser reveladora de uma certa preguiça em conceituar os contornos dos gêneros de textos curtos. Embora haja pontos de contato entre eles, trata-se efetivamente de dois gêneros distintos e com estratégias variadas.

A separação entre eles é bem menos problemática do que se quer dar a entender, haja visto que, a cada edição, podemos separar bem facilmente os concorrentes entre livros de crônicas e de contos.

Também não se pode aceitar o possível argumento de que não haveria livros de crônicas suficientes para justificar a criação de uma categoria própria.

Isso revela apenas o desconhecimento diante da quantidade e da variedade de livros de crônicas que são lançados a cada ano. Só o Prêmio Oceanos deste ano teve 58 livros de crônicas inscritos.

Da mesma forma, os próprios contistas, de maneira geral, veem como uma  necessidade a separação entre os gêneros em premiações literárias. Se é agradável aos próprios interessados, não se entende a razão pela qual o Jabuti, ano após ano, insiste na categoria única.

É de se imaginar também que, no fundo de tudo, haja até um certo preconceito contra os méritos literários da crônica – no que convém lembrar que o Jabuti não premia apenas os livros de literatura.

Certamente não é a única premiação a agir deste modo, mas, como é a principal do país, a situação apenas se torna mais evidente, e é de se imaginar inclusive que sirva de modelo para as outras.

Não temos, portanto, em 2016, um livro de crônica vencedor do Jabuti.

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