Faço o melhor negócio [Marco Antonio Martire]

Posted on 26/10/2016

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(Imagem: Bendita Luz)

Marco Antonio Martire*

— Boa tarde, eu quero brownie.

— Claro, quantos vai levar?

— Eu quero todos.

— De qual sabor?

— De todos os sabores.

— Mas isso dá mais de cem brownies.

— Tudo bem, quanto é?

— Você vai dar uma festa?

— Vou sim.

— Sinto muito, mas não posso vender tudo.

— Por que não?

— Preciso deles no quiosque.

— Precisa pra quê?

— Para o pessoal aqui do bairro.

— O pessoal do bairro também vai comprar tudo?

— Com certeza, eles adoram este brownie.

— Eu pago à vista.

— Não posso, sinto muito.

— Quero falar com seu patrão.

— O patrão não pode atender, viajou.

— E deixou o quiosque na sua mão.

— Isso, eu vendo brownie direto aqui.

— Não tem gerente?

— Sou eu mesmo.

— Rapaz, eu disse que compro o seu estoque.

— Você pode encomendar se quiser.

— Eu preciso deles pra hoje.

— Pra hoje não dá, cem brownies é muita coisa.

— Onde você aprendeu a ser vendedor?

— Aprendi na prática mesmo.

— E aprendeu direitinho.

— Sei tudo deste brownie, da receita do produto à embalagem.

— E não quer me vender os brownies?

— Sinto muito, o estoque não está à venda.

— Deve ser bom esse brownie.

— Nunca provou?

— Nunca, mas me recomendaram.

— Quer um? Experimenta o tradicional.

— Este aqui tem nutella? Dá este.

— Leva o tradicional também, faço desconto nos dois.

— Negócio fechado.

— Tá vendo? Cliente meu não fica insatisfeito.

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Marco Antonio Martire é carioca, formado em Comunicação pela UFRJ. Publicou os contos de “Capoeira angola mandou chamar”, a novela “Cara preta no mato” (ebook) e participou como autor das coletâneas de contos “Clube da Leitura – volume III” e “Escritor Profissional – volume 1”, ambas pela Editora Oito e Meio. É membro do Clube da Leitura, coletivo que organiza eventos de leitura e criação no Rio de Janeiro. Escreve na RUBEM quinzenalmente às quartas-feiras.  

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Posted in: Crônicas