Para ver em Sampa [Madô Martins]

Posted on 07/10/2016

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Madô Martins*

Em busca de novos ares, migrei para São Paulo, passar o dia com uma querida amiga. Nosso plano era ver e ouvir Mia Couto, no Sesc Vila Mariana, mas os ingressos terminaram rapidamente e, para neutralizar a frustração, seguimos para a Paulista.

Escolhemos visitar o Itaú Cultural e lá, fomos arrebatadas pela Ocupação Cartola, exposição delicada e caprichosa, em que fotos, vídeos, objetos pessoais, manuscritos e fones com suas composições nos tornaram mais íntimas do sambista carioca.

Por todo o recinto, janelas, que quase sempre serviram de moldura para as fotografias do casal, as rosas que Zica cultivava e inspiraram Cartola em As rosas não falam, as cores da Estação Primeira de Mangueira, escola de samba que os uniu. Há, ainda, um espaço dedicado ao Zicartola, para lembrar o restaurante que os dois montaram na Rua da Carioca com a proposta de oferecer boa comida e boa música, onde Paulinho da Viola recebeu o primeiro cachê. Comove conhecer o convite da inauguração endereçado, com a letra do artista, ao crítico musical José Ramos Tinhorão.

Emocionam, também, o rascunho das letras famosas ao longo de sua carreira e breves relatos de como foram inspiradas. Assim como a história de amor entre Euzébia Silva do Nascimento, dona Zica (1913-2003), e Angenor de Oliveira, Cartola (1908-1980), registrada na coleção de fotos em que ambos vão envelhecendo e a escrita original do samba “Nós dois”, que ele compôs no dia do casamento.

O resto, você degusta por si mesmo, se puder ir a São Paulo até 13 de novembro, quando termina a exposição. Que, além de tudo, é grátis.

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Madô Martins é escritora e jornalista, com 12 livros publicados e mais de 700 crônicas impressas aos domingos no jornal A Tribuna, de Santos/SP. Na RUBEM, escreve quinzenalmente às sexta-feiras.

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Posted in: Crônicas