Maratonas [Marco Antonio Martire]

Posted on 14/09/2016

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(Imagem: Bendita Luz)

Marco Antonio Martire*

— Saiu.

— Saiu mesmo?

— Sim.

— Deixa ver.

— Já disse que saiu.

— Vê se não vai manchar de novo.

— Vou tomar mais cuidado.

— Faça isso.

— Acho que ficou a marca.

— Marca?

— Olha direito.

— Não ficou marca nenhuma.

— Não tá vendo a marca branca?

— Não.

— Acho que vai pro lixo.

— Nada disso, conheço um tintureiro.

— Tintureiro?

— Você adora essa camisa.

— Que nada, joga fora.

— Por causa de uma marquinha boba?

— Eu adorava essa camisa.

— Usa em casa então.

— Em casa não.

— Por que não?

— Era minha camisa de ir ao cinema, vou usar em casa?

— Usa quando a gente fizer maratona de série.

— Nas maratonas… será?

— Vai ficar grilado por causa da marca branca?

— Claro que não.

— Vai broxar?

— Quê isso!

— Vai perder a fome?

— Até parece.

— E ficar com sono?

— Nunca, sabe que eu sou o rei das maratonas.

— Faz o que eu digo então: guarda a camisa.

— Tava a fim de doar.

— Vai se arrepender.

— Se você acha…

— Você fica sexy com essa camisa.

— Sexy é bom.

— Muito bom.

— Não vou doar.

— Não vai jogar fora.

— E nada de tintureiro.

— Nada de tintureiro.

— Vou usar durante as maratonas.

— Isso, amor! Você é o meu rei das maratonas.

— Eu sei, eu sou o rei das maratonas.

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Marco Antonio Martire é carioca, formado em Comunicação pela UFRJ. Publicou os contos de “Capoeira angola mandou chamar”, a novela “Cara preta no mato” (ebook) e participou como autor das coletâneas de contos “Clube da Leitura – volume III” e “Escritor Profissional – volume 1”, ambas pela Editora Oito e Meio. É membro do Clube da Leitura, coletivo que organiza eventos de leitura e criação no Rio de Janeiro. Escreve na RUBEM quinzenalmente às quartas-feiras.  

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