É bom ser Mulher! [Elyandria Silva]

Posted on 08/03/2016

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Elyandria Silva*

Para escrever esta crônica queria conhecer palavras nunca antes escritas, ouvidas ou faladas, mas não as encontrei. Procurei por novos verbos, adjetivos virgens e substantivos que vão além do simples e do composto. Por teimosia procurei por aquilo que sabia não existir, por alguém que pudesse me ajudar a descrever a todas nós, a mim mesma e a tudo que envolve ser MULHER. Um dia, preenchendo cadastro, me perguntaram: Função? – respondi – Sou Mulher! Isso bastaria, é função para uma vida inteira, mas foi só pensamento querendo nascer, foi desejo reprimido, nada falei.

 “É bom ser Mulher!” Mesmo com as cólicas mensais, com as tensões pré e pós tudo, com os seios doloridos, com as injustas acusações masculinas de que somos histéricas e loucas. Mesmo com as dores do parto, com os calorões da menopausa, com os supostos fingimentos de orgasmos, com as dores de cabeça não entendidas. Mesmo com a eterna luta contra a barriga, com a angústia da dor do joanete causado pelo uso de sapatos de bico fino, com a busca pelo cabelo perfeito quando, na verdade, ele já é perfeito. Ainda assim … “é bom ser Mulher!”

Um mundo sem mulheres! A ausência da beleza, da suavidade, da cor bonita, do cheiro bom, das belas imagens, da luz, a falta da vida em si. Viemos embrulhadas em muitas glórias, em grandes expectativas, em belas promessas, mas também em incertezas infundadas, falsos preconceitos, temerosas injustiças. Nascemos com fantasia de princesa e, em anexo, um sutil pedido de que nunca troquemos essa fantasia, que cuidemos dela pelo resto de nossas vidas. O tempo passa e vamos descobrindo que temos dias perfeitos, dias trágicos, não importa muito, pois somos donas de todos os dias, de todos os meses, de todos os anos, aconteça o que acontecer. Por ser Mulher o mundo nos é dado de presente e dele somos proprietárias, então, que façamos bom uso porque “É bom ser Mulher!”.

Oito de março, Dia Internacional da Mulher. Parabéns a todas as Marias, Cleides, Andréias, Denises, Karines, Camilas, Marianas, Danielas, Beatrizes, Sonias, Cristinas, Adrianas, Susis, Carmens, Nilzas, Gabrielas, Patricias, Kellys, Anas, Paulas, Vivianes, Carolinas, Fernandas, Heloisas, Simones, Fabianas, Marcias, Elaines, Lucianas, Michelles, Neusas, Maris, Clarices, Marisas, Tanias, Vanessas, Lilians, Tatianas, Isabelas, Luanas, Cristianes, Vanderleias, Janainas, Valérias, Daianes, Giovanas, Áureas, Gilmaras, Silvias, Reginas, Bárbaras, Cintias, Priscilas, Sandras, Janetes, Joelmas, Andressas, Angélicas, Cassias, Elisabeths, Bettys, Titas, Belisas, Dianes, Natalias, Déboras, Mônicas, Grazielas, Katias, Ritas. Para quem não coloquei o nome Parabéns com um abraço desta cronista. Para todas nós, mulheres, uma rosa porque É MUITO BOM SER MULHER!!

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Elyandria Silva é escritora, autora de “Labirinto de Nomes” (Moleskine, 2012), “Fadas de pedra” (Design Editora, 2009, Contos) e de “Um lugar, versos e retalhos” (Design Editora, 2010, poesia). Escreve para o Correio do Povo e tem textos publicados nas coletâneas “Contos jaraguaenses” (Design Editora, 2007), “Jaraguá em crônicas” (Design Editora, 2007), “Palavra em cena” (Design Editora, 2010, Dramaturgia), “Preliminares” (Sesc, 2009, Contos e Poesia) e “Mundo infinito” (Design Editora, 2010, Contos). Na RUBEM, escreve quinzenalmente às terças-feiras.

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