Poixto novem [Daniel Cariello]

Posted on 14/01/2016

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Daniel Cariello*

– Aí eu falei: isso é sinistro.
– É cabuloso.
– Sabe o que me deixa boladão?
– Hã?
– Tem maluco que nem pá.
– Nem pá.
– E com uma parada dessas…
– Aê, maluco é mesmo muito doido.
– Muito doido, brother.
– Eu achei irado demais.
– Geral, quando vê isso, pira.
– Geral pira, menos os malucos que nem pá.
– Nem pá.
– Total.

– Sucolé do Claudinho!

– Porra, tamo aqui no papo bom e esqueci de um bagulho.
– Esqueceu o bagulho?
– Não, o bagulho tá aqui. Esqueci um bagulho aê.
– Um outro bagulho?
– Isso, um bagulho aê.
– Mas um bagulho que dá umas paradas quando tu toma?
– Não, ainda tô na mão do palhaço, depois das paradas de ontem. É um bagulho pra agitar umas paradas com uns brother.
– Responsa.
– Total.

– Açaí, açaí!

– Tu sabe que tu é sangue bom, né? Geral que diz.
– Geral curte tu também.
– Apesar daquele dia que tu chegou alucinando a porra toda.
– Foi sinistro, né?
– Mas geral entendeu a parada. Só aquele vacilão do Taturana embaçou.
– Pela saco.
– Mané.
– Total.

– O sanduíche natural!

– Porra, maior larica. Vou mandar um sanduba.
– Aê, pede dois, doido.
– Mermão, tá sinistro o sanduba.
– Curti também, sinistrão.
– Não, tô achando que ele tá meio sinistro, uma parada estranha no meio.
– Porra, o meu tá sinistro. Tem parada nenhuma. Tu tá boladão à toa.
– Aê, tem razão.
– Bota pra dentro.
– Maluco, vou pegar o bonde. Foi maneiro.
– Irado demais.
– Passa lá em casa, depois.
– Total.

– Óleo de bronzear. Olha o óleo!

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Daniel Cariello já foi office-boy, guitarrista e tecladista em banda de rock, publicitário, jornalista e escritor, além de cronista para veículos como Le Monde Diplomatique online, Meia Um e Veja Brasília. Lançou dois livros de crônicas pelo selo Longe, do qual é um dos criadores. Colabora com a RUBEM às 5ª feiras.

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