De Affonso Romano para os jovens

Posted on 22/12/2015

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Desde o estrondoso sucesso da coleção “Para gostar de ler”, nas décadas de 70 e 80, surgiram várias coleções que com o objetivo de aproximar os jovens do universo da leitura a partir do gênero da crônica. Uma delas é a “Crônicas para jovens”, da editora Global, que tem, entre as suas edições, uma dedicada ao escritor Affonso Romano de Sant’Anna. A seleção das crônicas de Affonso se mostra interessante porque ele discute por diversas vezes aspectos da passagem do tempo e os conflitos de geração que dela decorrem. Ao mesmo tempo em que reconhece a força da juventude, Affonso se preocupa com o destino dos jovens que vê no colégio, além de se mostrar solidário com batalhas como a do vestibular. Sabe que um dia esses jovens também serão pais e, assim como ele, ficarão órfãos dos próprios filhos. Mas não é descabido pensar que, vez ou outra, os jovens podem até invejar os velhos, como bem prova uma das crônicas.

Com sua prosa tradicionalmente elegante, Affonso discorre sobre pequenas coisas, certo de que é da banalidade que as coisas extraordinárias se alimentam. Escreve sobre o amor, sobre as mulheres, sobre Deus e o diabo, literalmente. Defende um mundo mais delicado e acredita que a beleza seja a última forma de resistência, quando os que deviam punir não punem, quando os que deviam governar não governam – também aí é evidente a aplicação em meio à juventude que é, pela própria natureza, contestadora. Affonso apresenta ao jovem a crônica como algo que tem que ser achado no interior do cronista e que é capaz de abrir uma clareira de alegria em nossas almas tão maltratadas pela feiúra moral e física do mundo.

Para o jovem que já lê e, não apenas isso, também escreve e busca um espaço para divulgação de seus textos, Affonso apresenta suas experiências como escritor novato que enviava os seus textos a nomes como Drummond e Manuel Bandeira – este, achou muito ruins os escritos de Affonso, mas gostou de um verso, e este verso, ah, este verso, virou para Affonso a certeza de que a poesia era possível. Com seu próprio estilo, Affonso também pode ensinar hoje jovens escritores a serem contempladores de instantes. É bom que leiam nomes como ele.

Henrique Fendrich

parajovens

Global, 2011, 128 p., R$ 39

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