A primeira vez que li Mariana Kalil

Posted on 06/11/2015

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A primeira vez que li Mariana Kalil foi meio por acaso. Eu estava dando uma olhada na seção de “Contos e Crônicas” da livraria quando descobri cinco exemplares verdinhos em sequência e pensei comigo: “Deve ser um livro novo”. Puxei um deles pela lombada e fiquei em dúvida se era realmente um livro de crônicas. Como não encontrei uma resposta, comecei a ler o livro ali mesmo – a primeira vez que li Mariana Kalil foi na própria livraria. Devo ter chamado a atenção de outras pessoas, porque o que eu lia era tão agradável e divertido que, vez ou outra, eu me via obrigado a soltar uma risada. “Tudo tem uma primeira vez” (Dublinense, 2015) é de fato um livro de crônicas e Mariana Kalil é uma cronista de mão cheia – vale a pena lê-la pela primeira vez.

De início, já é interessante o recorte que ela propõe. Porque muitas coletâneas de crônicas são lançadas sem que exista entre os textos nenhuma relação além do fato de terem sido escritos pela mesma pessoa. Com o livro de Mariana não é assim, Mariana juntou 28 crônicas que tem como mote algumas das experiências inéditas pelas quais passou ao longo da vida. Mas não é um livro com o propósito de exaltar a sua capacidade de enfrentar novos desafios: é antes a bem-humorada reflexão dos equívocos a que estamos sujeitos em nosso universo de estreias.

Mariana sabe rir de si mesma, o que vem muito a calhar com a essência da crônica. É por isso que, em meio ao relato de virgindades que desfez ao longo da vida, estão situações altamente embaraçosas e constrangedoras para ela – como a primeira vez que vomitou em um jantar de gala. Nem sempre as primeiras vezes saem como prevíamos, como provam as histórias sobre o dia em que participou de uma corrida de rua ou aquele em que visitou a Ilha de Capri. O risco de dar errado, afinal, faz parte de toda novidade – e Mariana sabe rir dessas imperfeições.

Até porque ela sabe que, apesar do medo por trás das novas sensações, as primeiras vezes são necessárias para a nossa própria saúde e sanidade mental (é digna de nota, neste caso, o texto em que ela conta sobre a primeira vez que disse “não”). Ao longo das crônicas, se percebe uma Mariana em busca de autoconhecimento, à procura da sua essência, e nesse caminho é natural que, de vez em quando, precise fazer coisas com as quais não está acostumada. Mesmo com a insegurança de não saber como será, Mariana arrisca – uma tatuagem sua diz “Coragem”.

São textos que trazem memórias de seus medos, suas surpresas, suas curiosidades. É um livro que pode ser lido sem riscos – é, seguramente, uma primeira vez de leitura muito prazerosa.

Henrique Fendrich

tudotemumaprimeiravez

Tudo tem uma primeira vez – Mariana Kalil

Dublinense, 2015, 160 p., R$ 34,90

 

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