Canção para Luciana – soneto estrambótico para expiar culpas [Rubem Penz]

Posted on 06/03/2015

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Rubem Penz*

Como fui chamar-te Linda
Quando já é Luciana tão belo
(E que não nos ouça o Marcelo)
Em lapso que nunca finda?

Alucinante mistério
Caso sério, acachapante
Vergonha em meu semblante
Num martírio deletério

Começou no esquecimento
(Mal) feito em rede nacional
Fatídico e imperdoável

Documento irrevogável
Urdido no instante final
Lavrado em vil momento

Já faz tempo e isso volta…
Por que não cessa o tormento
Se não tens merecimento
Nem tal castigo me solta?

Paciência em mil Marias
Minha amiga, é o que te peço
Meu fracasso é o teu sucesso
Eu, Alzheimer. Tu, Farias

E este soneto estendido
Soldado de meu coração
Tem missão de armistício

Aceita o meu sacrifício
Perdoa-me a confusão
Revoga o mal entendido

__________

*Rubem Penz, porto-alegrense de 1964, é publicitário, escritor e músico. Produz crônicas semanais desde 2003, inicialmente publicadas apenas na internet e, depois, em veículos do Brasil e exterior. Seu livro de estreia, O Y da questão e outras crônicas, foi finalista dos prêmios Açorianos de Literatura e Livro do Ano pela Associação Gaúcha de Escritores (AGES). Atualmente é cronista do jornal Metro Porto Alegre. Desde 2008 ministra oficinas de crônicas em sua cidade natal, com destaque para a oficina Santa Sede – crônicas de botequim, que já alcança a quarta antologia. Em RUBEM escreve quinzenalmente às sextas-feiras.

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