O Fator Cor-de-Rosa (Carlos Castelo)

Posted on 20/01/2015

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Carlos Castelo*

Os tempos mudam. É só uma questão de tempo. Isso vale também para os bichos-papões da sociedade que precisam se adaptar urgentemente às exigências de um mundo cada vez mais politicamente correto e coxinha.

Veja o que pode vir por aí.

PINK PUNKS: Versão menos agressiva do movimento. Ao contrário dos tradicionais “piercings” e coturnos, os novos punks prefeririam usar roupas cor-de-rosa, sapatilhas de balé e medalhinhas de Santa Edwiges.

Em vez de adotar os princípios da anarquia, dedicariam-se ao estudo da antroposofia. A notória admiração por Sid Vicious também mudaria radicalmente. O ídolo dos pink punks passaria a ser Liberace.

ISLÃ LIGHT: Com os avanços da globalização e a entrada da CNN nos paises muçulmanos, o Islã teria de rever seus conceitos mais radicais.

A primeira mudança seria reconhecer que a mulher não é um ser desprezível. A partir de então ela adquiriria o status de animal de estimação. Com isso, o seu dono poderia levá-la a um passeio diário na coleira, desde que devidamente protegida por um xale na cabeça.

A segunda liberalidade do Islã Light seria permitir que os homens raspassem o bigode, se assim desejassem.

As relações homossexuais também já não seriam mais punidas com a pena de morte, apenas com apedrejamento seguido de amputação dos membros inferiores.

JIHAD DE BAIXO TEOR DE EXPLOSÃO: A Jihad teria uma vertente mais branda e suave. As milícias deveriam armar a população, mas não necessariamente com fuzis, granadas, canhões. Metralhadoras de plástico, espadas dos Power Rangers ou martelinhos de apito obedeceriam da mesma maneira os preceitos da causa. O “rodízio de atentados” seria uma outra forma mais suave de beligerância. Bombas às terças e quintas, distribuição de narizes de palhaço às segundas, quartas e sextas. E no fim de semana “rave” com agentes da CIA e SEALS convidados.

PARTIDO NEONAZISTA SOFT: Um partido nacional-socialista totalmente adaptado às exigências do século XXI. Fortemente inspirado em partidos políticos brasileiros de natureza exótica, como o DEM, o Partido Militar Brasileiro teria a figura mítica de Plínio Correia de Oliveira (com bigodinho à la Adolf) como o seu “condottiere” e admitiria a presença de determinadas minorias no país, desde que assinassem uma nota promissória deixando seus bens e o dos herdeiros à direção do partido.

Os genocídios seriam considerados ultrapassados e substituídos pelo confisco da poupança.

SKINHEADS DIET: Só a careca seria mantida como forma de protesto. No mais, os antigos “Carecas do Subúrbio” fariam conchavos e coalizões com seus arquinimigos punks a fim de manter o jogo político e a harmonia entre os poderes da sociedade. O movimento se manteria estável financeiramente vendendo camisetas e pôsteres estampados com a imagem de seu grande inspirador: Curly, o calvo dos Três Patetas.

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* Carlos Castelo é escritor, letrista, redator de propaganda e um dos criadores do grupo de humor musical Língua de Trapo. Na RUBEM, escreve quinzenalmente às terças-feiras. 

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