Sérgio da Costa Ramos lança livro de crônicas

Posted on 17/12/2014

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(Imagem: Charles Guerra/Agência RBS)

Carol Macário, para o Diário Catarinense

Se o romance veste traje completo, e o conto, fantasia, a crônica é uma literatura sem gravata. Com bermudas. A de Sérgio da Costa Ramos ainda leva um célere sorriso de deboche e lirismo malemolente. Escritor, jornalista e cronista do Diário Catarinense, ele lança mais um livro, Molecagens Vernáculas: Crônicas de um País Crônico (Editora Unisul).

A obra é uma coletânea de 95 textos a qual não tem a pretensão de chamar antologia. Foram escritos nos últimos 25 anos e satirizam o país que o Brasil tornou-se desde então.

— É uma resenha ora lírica ora mordaz de um Brasil que justifica a definição de Henri Bergson para humor: “É a quebra da lógica” — diz Sérgio.

As crônicas foram selecionadas por um grupo de professores e aprovadas pelo autor. Agrupadas em conjuntos temáticos, trespassam questões de hábitos e cultura do brasileiro, desde política em Eleições@.com, até outros assuntos mais líricos, irônicos, gastronômicos e telúricos (manés), como em Lá e cá, Com Sabor, As Quatro Estações, Afetos da Ilha-Mulher, Da Mulher e do Amor, Só pra Inticar e Cumulus Mimbus.

— Crônica é um gênero que padece da fugacidade da vida breve — reflete o cronista sobre o ofício.

Antes, afirma, o gênero era mais lírico, e lembra dois grandes mestres: Fernando Sabino e Rubem Braga.

— Mas hoje esse tipo de crônica não surte mais efeito. Tem de se ater aos fatos. E muitas vezes tem de ter a indignação, refletir o estado da alma.

Aos 67 anos não sabe quantas crônicas escreveu. Mil?, perguntei com ingenuidade.

— Mil se faz em cinco anos — respondeu, rindo.

Sérgio já publicou 13 livros de crônicas. A alma de jornalista — o escritor foi correspondente internacional e trabalhou para grandes revistas, como a Veja — se vê na indignação com que trata de assuntos do cotidiano, sentimento comum a quem trabalha em comunicação.

— Uma das coisas que me faz ferver o sangue é o atual momento da nossa democracia. Não se inventou nada ainda melhor do que democracia, mas estamos na fase da sangria para fazer a depuração — afirma.

Sobre seus textos e a razão de fazerem tanto sucesso — quase que diariamente estão na lista dos mais lidos do Diário Catarinense — diz que toda crônica tem de ter leveza e cumplicidade com bom humor. Ou a obrigação de pelo menos não o chatear.

Molecagens Vernáculas: Crônicas de um País Crônico (2014). De: Sérgio da Costa Ramos. Editora: Unisul. 230 págs. R$ 40

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