André J. Gomes e o amor nos tempos da cólera

Posted on 10/11/2014

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De fato, não se esperaria de André J. Gomes que lançasse um livro espalhafatoso. “Cartas de amor a toda gente” (Lumos) é pequeninho, no formato e na quantidade de páginas. Por ser assim, não difere muito do conteúdo – os mesmos gritos de afeto que o autor lança semanalmente na Revista Bula. E se é preciso gritar é apenas porque convém despertar as almas de um mundo cada vez mais grosseiro e indiferente.

André escreve para toda gente que se equilibra “entre sua pequena multidão de afazeres, levada pelo fluxo impiedoso de seus eventos diários, na correnteza involuntária de um depois do outro”. A estes, conclama a uma revolução, mas uma revolução do lado de dentro, requisito básico para que se façam as revoluções exteriores. Propõe um manifesto para que todos os corações vazios, mal amados, partidos, abandonados ou subutilizados passem a ser ocupados pelo amor em todas as suas formas. Anseia por uma chuva que dissipe velhos ódios e rancores impregnados no solo como velhos chicletes.

Sem medo de parecer ingênuo, André cria frases e imagens poéticas para falar de afeto, de solidão, de humanidade, de gratidão, de felicidade, de infância, da saudade do que nunca se viveu, do tempo que passa, do amor entre pai e filho. Constata o esfriamento das relações, a falsidade do Facebook e o crescimento do ódio, das ofensas e dos insultos.

Mas, como disse uma criança, o amor vem do acreditamento. E, em cada uma dessas crônicas, André J. Gomes não faz outra coisa senão acreditar.

Henrique Fendrich

cartasdeamor

Cartas de amor a toda gente
André J. Gomes

Editora Lumos, 2014 

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