10 cronistas que talvez você não conheça

Posted on 29/10/2014

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(Imagem: o cronista Antônio Maria)

Quando se fala em “cronistas”, alguns nomes surgem imediatamente à nossa cabeça: Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Nelson Rodrigues, Luis Fernando Verissimo… A lembrança é natural, porque foram os nomes que mais se destacaram no gênero. Mas no meio do caminho houve outros tantos cronistas que, apesar de talentosos, dificilmente são lembrados. RUBEM lista abaixo alguns desses cronistas que poderiam ser mais conhecidos.

E aí? Conhece todos eles?

antoniomaria1. Antônio Maria (1921- 1964). Cronista de destaque nos jornais dos anos 50 e início dos anos 60. A morte precoce impediu que fosse celebrado como Rubem Braga e Paulo Mendes Campos entre os maiores expoentes do gênero. Suas crônicas, cheias de sentimento e vigor, foram reunidas postumamente nos livros “O Jornal de Antônio Maria”, “Com vocês, Antônio Maria”, “Benditas sejam as moças” e “Seja feliz e faça os outros felizes”.

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2. José Carlos Oliveira (1934-1986). O popular Carlinhos Oliveira surgiu como cronista nos anos 60 e por mais de duas décadas escreveu para o Jornal do Brasil. Misturava um lirismo existencial com doses de sarcasmo, não dispensando a polêmica. Escreveu os livros de crônicas “Os olhos dourados do ódio”, “A revolução das bonecas”, “O saltimbanco azul”. Postumamente foi publicado “Diário da Patetocracia”.

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3. Henrique Pongetti (1898-1979). Jornalista e dramaturgo, famoso nos anos 60 e 70, assinou por três décadas uma crônica diária no O Globo. Um dos criadores da revista Manchete, nela dividia a crônica com Rubem Braga, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos. De sua produção, que se destaca pela elegância no estilo e serenidade no tom, há apenas um livro de crônicas, chamado “Inverno em biquíni”.

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diaferia4. Lourenço Diaféria (1933-2008). Jornalista, começou a escrever crônicas para a Folha de São Paulo em 1964 e 13 anos depois foi preso por conta de uma delas, acusado de denegrir a imagem das Forças Armadas. Por vezes tem seu estilo comprado ao de Stanislaw Ponte Preta. Autor de livros de crônicas como “Um gato na terra do tamborim”, “Circo dos cavalões”, “A morte sem colete”, “A longa busca da comodidade”, entre outros.

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eneida5. Eneida (1904-1971). Jornalista, escritora e militante política, começou a colaborar com a imprensa ainda no Pará, sua terra natal, e destacou-se com as crônicas que escrevia para o “Diário de Notícias” no Rio de Janeiro. Uma das características de sua crônica era o estilo epistolar. É autora das coletâneas de crônicas de crônicas “O quarteirão”, “Paris e outros sonhos”, “Sujinho da terra”, “Cão da madrugada” e “Aruanda”.

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maluh6. Maluh de Ouro Preto (1922-1988). Nascida no Rio de Janeiro, Maria Luísa de Ouro Preto, a Maluh, era moça da alta sociedade e colecionadora de arte. Sua crônica destacava-se pela sensibilidade. Escreveu os livros “Crônicas de Paris”, “Siri na noite sem lua” e “Ardentia” e aparece em antologias ao lado de nomes como Drummond, Rachel de Queiroz e Paulo Mendes Campos. Uma das musas de Rubem Braga.

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eLSIE-LESSA7. Elsie Lessa (1914-2000). Jornalista e cronista, escreveu sem interrupções para O Globo de 1952 até 2000, quando faleceu. Ruy Castro a coloca ao lado de Braga, Sabino e Paulo Mendes Campos entre os maiores cronistas da língua portuguesa. Poucas de suas crônicas foram publicadas em livros: “A dama da noite”, “Ponte Rio-Londres” e “Crônicas de amor e desamor”. Mãe do também cronista Ivan Lessa.

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tavola28. Artur da Távola (1936-2008). Advogado, jornalista, professor e político, foi colunista de televisão nos jornais Última Hora, O Globo e O Dia. Sua crônica destacava-se pelo mergulho psicológico, o interesse pelos dramas existenciais do ser humano e a visão humanista da realidade. Entre os diversos livros de crônicas que escreveu, destacam-se “Cada um no meu lugar, “Alguém que já não fui” e “Mevitevendo”.

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marisaraja9. Marisa Raja Gabaglia (1942-2003). Jornalista e escritora, nascida no Rio de Janeiro, trabalhou para os jornais Última Hora e Diário Popular, além de ter sido atriz e repórter da Rede Globo. Tornou-se conhecida como cronista da vida cotidiana. Entre os livros de crônicas que escreveu estão “Os grilos de Amâncio Pinto”, “Meu dia-a-dia” e “Milho pra galinha, Mariquinha”, este último com orelha de Rubem Braga.

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luismartins10. Luís Martins (1907-1981). Escritor, poeta, crítico e memoralista de intensa atuação no cenário cultural da capital paulista. Foi cronista do Estado de São Paulo por 36 anos, assinando os seus textos como L.M. Elogiado por Carlos Drummond de Andrade. Pouco conhecido fora das páginas do jornais, mas algumas de suas crônicas podem ser conhecidas no livro “Ciranda dos ventos”, destinado ao público jovem.

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