A vida banal de Ferreira Gullar

Posted on 25/07/2014

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Normalmente não é lembrado, mas o poeta Ferreira Gullar também é cronista. E uma de suas coletâneas no gênero se chama “A estranha vida banal” (José Olympio). Como o nome sugere, o mote do livro é exaltar pequenos detalhes do cotidiano – coisa que, afinal, é tida como a principal característica da crônica. Assim é que Ferreira Gullar fala das garrafas de areia colorida feitas nas praias do Tibau, no Rio Grande do Norte, ou da aranha que observa caçando uma mariposa.

Também há espaço para o humor em textos como “A Estante” e o continho “Reforma agrária”, além de narrativas criativas como o diálogo entre os heterônimos de Fernando Pessoa. Algumas das crônicas mais antigas do livro, escritas no início dos anos 60, estão entre as mais experimentais e exigem maior atenção na leitura.

Gullar também se mostra interessado na visão das crianças sobre o mundo e mostra alguma atenção ao noticiário. A crítica social está presente em crônicas como “Pedro fazendeiro”, a política em “A multinacional corrupção” e há até mesmo um ensaio sobre o amor.

Um dos pontos altos do livro são os textos em que Gullar reconstrói histórias do seu passado em Lima, no Peru, onde viveu de forma bastante modesta – para não dizer miserável mesmo. Aqui e ali, suas crônicas são pontuadas também de alguma melancolia.

Ferreira Gullar é mais um dos nomes da poesia que sabem se virar muito bem na crônica.

Henrique Fendrich

 

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