Mario Prata no tempo do Itamar

Posted on 24/07/2014

0



Não é de se admirar que Antonio Prata seja hoje um dos principais nomes no gênero da crônica. Há uma explicação genética, pois há muito tempo o seu pai Mario Prata é um dos nossos melhores cronistas. “Filho é bom, mas dura muito“, um dos livros do velho Prata, é um bom exemplo daquilo que a família é capaz de produzir no gênero.

Divertido e provocador já a partir do título, o livro reúne textos escritos por Mario nos anos de 1993 e 1994. É curioso observar as impressões do cronista diante de um Brasil que tinha o Itamar Franco como presidente e de uma Seleção Brasileira que estava prestes a ganhar o Tetracampeonato Mundial. Aliás, as crônicas sobre a Copa de 94 são um ponto alto do livro, pois Mario viajou até os Estados Unidos para acompanhar os jogos e pôde presenciar alguns inusitados episódios envolvendo torcedores brasileiros na terra do Tio Sam.

Também é interessante observar como Mario Prata faz comparações entre passado e presente (no caso, um presente que já é passado há 20 anos). São basicamente as diferentes entre duas épocas que geram crônicas engraçadas como “Antigamente mentia-se de mentirinha”, “Já não há mais ladrões como antigamente”, “O que era pecado ontem, ainda é?”, “O soluço já foi solucionado” e “Saudades do banheiro”. A distância no tempo desde o momento da escrita permite ver em que medida situações do nosso dia-a-dia mudaram (ou não).

Mas não é apenas do passado que Mario tira inspiração. O cronista também gosta de fazer suposições absurdas do futuro, tendo em vista as tendências que observa no presente. Entre os exemplos desta categoria está “Paris, Maio de 98″, em que o cronista escreve, com 4 anos de antecedência, quem serão os convocados para a Copa da França. Há ainda textos hilários como ” Em se multando, tudo dá”, “Faça logo um seguro contra corno”, “Procura-se patroa com experiência” e “Quem ganhou? Brasil ou Uruguai?”, todos nascido desta mesma perplexidade diante de uma vida presente cada vez mais surpreendente.

Algumas das crônicas são pura piada do começo ao fim, como “Curso de Inglês para Portugueses”, “Em se falando, tudo dá”, “Frases originais de um fim de ano” e “Para quem gosta de ser chateado”, mas todas elas revelam um escritor bastante atento ao que acontece ao redor e que sabe que, às vezes, as coisas não podem ser levadas tão a sério. Nem ele próprio, volta e meia vítima de auto-ironia.

É interessante a organização das crônicas, pois estão todas em ordem alfabética e muitas terminam com um mote para a seguinte. No geral, é o texto rápido e divertido como de costume em se tratando de Mario Prata.

Henrique Fendrich 

Anúncios
Marcado:
Posted in: Uncategorized