A Copa do Alemão (Maicon Tenfen)

Posted on 24/06/2014

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Maicon Tenfen*

O Frida fife reclamanto que acora, turante o Coba do Mundo, eu non vaço mais nata além de vicar sentato no vrente do televison gomendo biboca e patatinha vrita com muito chope pra fer os xócos do Prasil e do meu Alemânia.

Egzbliquei pra ela que, alemon de Plumenau e da xema que sou, abrofeitei pra tirar meus vérias zertinha na mês de xunho — mas non adiantou de nata. O Frida anta muito prafa ultimamente e aja que desse xeito eu vou vicar cordo temais.

Eu costo muito do Frida, por isso às fezes me chateio um pouco com ela.

Na última tomingo, por egzemblo, turante a xoco do meu Alemânia, viz ela zentar um pouco na minha lado e olhar o televison xunto comico. Ela vicou um minuto quietinha, até que de repente me teu uma tapa e um povetata pem no meu pochecha.

— Que é isso, Frida?
— Zeu felho vedorento! Borcalhon! Non tem ferconha, non?
— Mas o que voi que eu viz?
— Ora o quê? Vica aí soltanto beidos no carra das outros!

Tentei egzblicar pra ela que beido é um balavra muito veia que non se usava lá no meu Alemânia uma veiz. O zerto é tizer cás de punda, mas o Frida non quis zaber do meu confersa viada.

Acendi um cicaro e viquei vumando um pouco pra me acalmar. Tepois, na jou da interfalo, chequei perto do Frida pra tentar me tesculpar e de repente levar ela pro cama e vazer um vuque-vuque de reconciliaçon. Ôa! Nem encostei o mon nela e ela começou a critar que nem um fufuzela:

— Zai de perto, Fritz! Folta lá pro teu futspal e me teixa quieta na minha lado se non eu te tou um sura de jinelo.

Antes do xoco acapar, viquei meio preocupato porque zenti uma rebucho aqui na minha estômaco, um tipo de trofoada nos tripas que me opricou a correr retinha para a panheiro. Non teve choro nem fela, nem xarope nenhum que resolfesse o situaçon. Enton critei pro Frida:

— Mein gott, Frida, é tiarreia!

Mas ela nem teu pola:

— Quem mantou peper tanto chope xelado com toresmo quente?
— Ai, Frida, me axuda, parece que eu tô é mixando pelo punda!
— Te fira! Te fira!

Ô, calamitate! Ainta pem que egzcutei mais uma golo do meu Alemânia em cima do Austrália. Tô cacata mas tô veliz. A xente fai canhar o Coba, fai sim. Se non — é claro — eu torço pra Prasil…

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Maicon Tenfen é escritor, autor de livros de contos, novelas e romances, além de crônicas, também publicadas no Jornal de Santa Catarina e Diário Catarinense. Por duas vezes recebeu o primeiro lugar no Concurso de Contos Paulo Leminski. Venceu também, em 2005, o Concurso de Contos de Araçatuba (SP), com A Vida e a Morte de Nick Fourier. Na RUBEM, escreve quinzenalmente às terças-feiras. 

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