Broblema de bronúnzia (Maicon Tenfen)

Posted on 13/05/2014

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Maicon Tenfen*

Bode me jamar de Batrízio, é esde o meu nome mezmo, denho drinda e drês anos e vreguendemente me bergundo bor gue dudo zai errado na minha vi… Ei, gual é a graza, bô? Denho gara de odário, é izo? Bois zaiba gue odário é vozê, zeu vio duma buda zavado! Bozo adé falar zguizito, mas não zou baiazo, não! Endendeu?

Mas eu dizia gue às vezes me bergundo bor gue dudo zai errado na minha vida. Guando eu ztudava no brimário, bor ezemblo, os meninos e as meninas viviam gorrendo adrás de mim e gridando gue eu era redardado. Dinha hora gue eu ganzava de gorrer e gomezava a dar dabeves na gara deles e delas, eu não gueria nem zaber, o gue vieze bela vrende levava bau. Eu zembre vui voda na borrada.

Voi neze momendo gue a brovezora dize:

– O Badrízio é uma grianza garente.

Jamaram minha mãe, gue me deu uma zurra e debois me levou bra uma médiga bsigobada que enviava uma luz na minha boga e mandava eu dizer goizas gomo “baralelebíbedos” e “gonsdiduzionalizimamende”.

O dembo bazou, mas não meus broblemas. Adolezende, dendei arranjar um embrego de vendedor de azinaduras de uma revizta bornô. O véio gordo que ztava adrás da meza zimblezmende gomezou a rir de mim. Butz grila, viguei muido adagado, budo da gara mezmo! Bulei bor zima da meza e agarrei o gordo belos golarinhos da gamiza:

– O que voi, seu banaga? Bozo adé falar zguizito, mas não zou baiazo, não. Endendeu?

Guebrei a gabeza dele, debois arranguei sua oreia, gom uma dendada, masdiguei e engoli. Glaro que vui barar num revormadório bara delinguendes juvenis. Zaí debois de um dembo e, zeis dias mais darde, numa noide de zedembro, gonzegui arrumar uma namorada. Bedi bara beijar ela, mas ela desviou a boga e dize:

– Zó ze vozê azoar o nariz brimeiro.

Azoar o nariz? Gue goiza mais nojenda!

– Bozo adé falar zguizito – eu dize bra ela – mas não zou baiaço, não. Endendeu?

Hoje, borém, ztou agui benzando: e ze eu azoaze o nariz, o gue agondezeria? Deije-me ver. Gom lizenza, zó um minudo… chhhhhiiifftiuuuiiiííí… chhhhhiiifftiuuuiiiííí… Pra falar a verdade, é a primeira vez que faço isso na vida. Agora posso continuar com minha história e… O que foi, hein? Por que você começou a rir de novo? Quer que eu te quebre a cara? Tome cuidado, mano. Posso até falar esquisito, mas não sou palhaço, não. Entendeu?

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Maicon Tenfen é escritor, autor de livros de contos, novelas e romances, além de crônicas, também publicadas no Jornal de Santa Catarina e Diário Catarinense. Por duas vezes recebeu o primeiro lugar no Concurso de Contos Paulo Leminski. Venceu também, em 2005, o Concurso de Contos de Araçatuba (SP), com A Vida e a Morte de Nick Fourier. Na RUBEM, escreve quinzenalmente às terças-feiras. 

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