A província de Marcelo Canellas

Posted on 19/12/2013

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Como jornalista, Marcelo Canellas andou por muitas cidadezinhas do Brasil. Nessas cidadezinhas encontrou personagens curiosos vivendo em ritmo bem diverso da vida moderna e mantendo hábitos do interior que ainda repercutem fundo em sua memória – ele próprio, nascido no interior do Rio Grande do Sul.

Aliando a singularidade das histórias desses personagens com a sua própria nostalgia e idealização da vida nas pequenas cidades, Canellas selecionou os textos de “Províncias – Crônicas da Alma Interiorana” (Globo Estilo), sua primeira coletânea de crônicas. Muitas delas nasceram dos bastidores de suas reportagens e privilegiam abordagens, vozes e discursos que seriam impossíveis no seu jornalismo tradicional.

São textos curtos, que acabam na página seguinte, com palavras estudadas e pouco óbvias, e cheios de pequenas dramas humanos, por vezes com ares de causo, mas sem abrir mão da crítica social e com frequência aspirando ao lirismo – o que já é esperado de um cronista que tem Rubem Braga como a principal referência.

Na crônica que encerra o livro, Canellas de certa forma explica o conteúdo e a abordagem dos textos que escreveu: “Porque não quero viver aflito para parecer moderno. Porque, mesmo no exílio da capital, quero continuar morando na cidade do interior, que minha infância guarda, talvez mais idealizada do que real, mas que faz com que eu sempre me reconheça quando alguém me chama de provinciano”.

E como a crônica parece ser o gênero que melhor abriga a nostalgia, é também nela que Canellas tenta, de forma bonita e sincera, preservar um modo de se viver.

Henrique Fendrich

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