Canellas fala sobre a crônica em Brasília

Posted on 03/12/2013

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O jornalista Marcelo Canellas esteve no último sábado (30/11) em Brasília para um debate na Feira do Livro sobre narrativa curtas. Canellas lançou há alguns meses o livro “Províncias – Crônicas da Alma Interioriana” (Globo Livros), a sua primeira coletânea de crônicas, e falou um pouco sobre a obra e sua experiência com o gênero.

A atividade de Canellas como cronista teve início em 2002, após receber um convite para escrever no Diário de Santa Maria – alguns anos depois começou a escrever também para “A Cidade”, de Ribeirão Preto. Suas crônicas, muitas derivadas de reportagens, são resultado de suas andanças pelo Brasil, e nesta coletânea em especial elas privilegiam as histórias do interior, onde ainda se destaca um espírito de comunidade.

A exemplo de cronistas como Milton Hatoum, Canellas reescreveu todas as crônicas antes de publicá-las. Algumas foram totalmente modificadas, já que o autor gostava do argumento que tinham mas não do texto que produziu. Como considera o gênero “o império da desimportância”, Canellas também aproveita para usar como tema muitos “não-assuntos”, mas sempre com a visão do interior.

Ele também destaca a importância do leitor para o gênero, com quem o cronista mantém uma relação muito pessoal: “A grandeza da crônica está na ressonância e na subjetividade do leitor”. São os textos que geram uma emoção ou uma reação em quem está lendo, muitas vezes a ponto de motivar um contato com o seu autor – que também pode se comover diante daquilo que lhe retornam.

Prazos. É bastante comum que os cronistas deixem para escrever e enviar os seus textos apenas próximo ao fechamento da edição do jornal. Canellas contou que haviam lhe dado inicialmente como prazo de envio a segunda-feira. Ao enviar o texto neste dia, sentiu que não houve muita reação do jornal e por isso  passou a enviar na terça. Como também não aconteceu nada, começou a mandar na quarta. Quando passou para a quinta-feira, sentiu o nervosismo da redação. “Aí eu descobri que eles fecham na quinta”, diverte-se.

Influências. Como nove em cada dez cronistas, Marcelo Canellas também reverencia Rubem Braga como o deus do gênero. Mas também cita entre suas influências escritores alheios à crônica, como García Márquez, Raduan Nassar e Erico Veríssimo, responsáveis pelo que chamou de sua “carpintaria narrativa”, além dos poetas, especialmente os da simplicidade, como Quintana, Bandeira e Manoel de Barros.

Ao final do debate, Canellas promoveu ainda uma sessão de autógrafos do seu livro, que está à venda no site da editora por R$ 34,90.

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