A crônica entre os atuais imortais da ABL

Posted on 10/11/2013

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Na última quinta-feira, o romancista Antônio Torres foi eleito para ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.  Reconhecido como romancista, Torres também é um cronista eventual, tendo lançado em 2007 o livro Sobre pessoas.  Aproveitando a deixa, RUBEM pesquisou a relação dos atuais imortais da ABL com o gênero da crônica.

Dos 40 imortais, apenas 16 possuem alguma relação visível com o gênero. Estes 16 podem ser divididos entre cronistas de fato (aqueles que tem o hábito de escrever crônicas rotineiramente), cronistas eventuais, crônicas específicos (que não praticam a crônica literária), organizadores de livros de crônicas e, ainda, estudiosos que escreveram artigos sobre a crônica.

Os únicos cronistas típicos da ABL são Carlos Heitor Cony e João Ubaldo Ribeiro, ambos com extensa produção no gênero em periódicos e com diversas coletâneas publicadas.

Livros de crônicas de Carlos Heitor Cony: 

Da Arte de Falar Mal. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1963.
O Ato e o Fato. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964.
Posto Seis. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965.
Os Anos mais Antigos do Passado. Rio de Janeiro: Record, 1998.
O Harém das Bananeiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999.
O Suor e a Lágrima. Belo Horizonte: Dimensão, 2002.
O Tudo e o Nada. São Paulo: Publifolha, 2004.
Para ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva,2009

Livros de crônicas de João Ubaldo Ribeiro:

Sempre aos Domingos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988. 2.a ed., 1997. Ed.: Objetiva, 2007.
Um Brasileiro em Berlim. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. 4.a ed., 1998 .Ed.: Objetiva, 2007.
Arte e Ciência de Roubar Galinhas . Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.
O conselheiro Come. Ed.: Nova Fronteira, 2000.
A gente se acostuma a Tudo. Ed.: Nova Fronteira, 2006.
O Rei da Noite. Ed.: Objetiva, 2008.

Como cronistas eventuais, além do próprio Torres, a ABL conta com Nélida Piñon (autora de Até amanhã, outra vez), Lygia Fagundes Telles  (Passaporte para a China – Crônicas de Viagem), Marcos Vinicios Rodrigues Villaça (Americanas – Crônicas de Viagem) e Rosiska Darcy de Oliveira (Baile de máscaras, lançado neste ano de 2013).

Já os cronistas que escrevem sobre assuntos específicos são representados na ABL por José Sarney (Crônicas do Brasil contemporâneo), Arnaldo Niskier (três livros de crônicas sobre educação) e Afonso Arinos (crônicas sobre a diplomacia brasileira).

Domício Proença Filho, por sua vez, organizou e prefaciou as coletâneas Um Cartão de Paris e Aventuras, de Rubem Braga, além da coletânea Literatura Brasileira: Ensaios I: crônica, teatro, crítica. Marco Lucchesi organizou Melhores Crônicas de Euclides da Cunha e Murilo Melo Filho organizou Austregésilo de Athayde – Crônicas. 

Por fim, entre os estudiosos da crônica na ABL, estão Eduardo Portella (que escreveu sobre o gênero em Dimensões I  e publicou um artigo na obra Machado de Assis, cronista do Rio de Janeiro), Alfredo Bosi (autor do artigo O teatro político nas crônicas de Machado de Assis) e José Murilo de Carvalho (autor do artigo República-Mulher: entre Maria e Marianne, publicado na compilação A Crônica: o Gênero, Sua Fixação e Suas Transformações no Brasil). 

Mesmo que diversos imortais tenham algum tipo de relação com a crônica e que até mesmo dois cronistas praticantes estejam entre os seus membros, é notório que nenhum deles conseguiu a sua cadeira por conta dela (nem mesmo Cony e João Ubaldo).

A ABL, como se sabe, tem na sua fundação Machado de Assis, ele próprio um cronista praticante, embora essa dimensão da sua obra não costume receber a atenção devida. O gênero da crônica nunca teve uma absorção fácil em meio à literatura mais tradicional, mas a sua prática ou estudo feito por membros da ABL sugere que é possível que venha a ter um reconhecimento maior.

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