Conversas sobre política com Rubem Alves

Posted on 08/03/2013

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Certa vez vi Marina Colasanti defender que crônica boa é aquela que abre links para o mundo – ou seja, aquela em que são feitas referências externas à própria crônica e seu autor. Citações de livros, filmes, frases, notícias, episódios históricos. Isso foi o que mais encontrei em “Conversas sobre política”, de Rubem Alves – o primeiro que leio dele, depois de já ter flertado com o Fonseca e casado com o Braga.

É verdade que há algumas obsessões (como a necessidade de citar a mesma declaração de Guimarães Rosa), mas em geral as referências instigam, levam a querer conhecer mais. Rubem Alves as usa em meio a textos que nem de longe estão preocupados em agradar. Suas opiniões sobre a ineficiência e a mediocridade do povo quando unido são exemplo disso.

São textos firmes e essencialmente críticos, mas não são pesados. Apesar de desesperançoso quanto aos rumos da política no Brasil, Rubem Alves insinua sempre alguma possibilidade de escape. Gosta das metáforas e as usa bastante. De vez em quando tem um ar professoral. Mas é uma leitura rápida e suscita alguns bons pensamentos e ideias.

Henrique Fendrich

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