Tezza: “O leitor é figura importantíssima na crônica”

Posted on 23/04/2012

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Essa entrevista foi feita no final de 2008, pouco tempo depois que o catarinense Cristóvão Tezza iniciou sua participação como cronista no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, no qual permanece até hoje.

Reconhecido como romancista,  Tezza se via diante de um mundo novo, em que precisava se adequar às características típicas de um gênero que não é publicado originalmente em livro, e que busca atingir  um público que não necessariamente está interessado em literatura.  

RUBEM: Qual a rotina de produção das suas crônicas?

Cristóvão Tezza: Escrevo minhas crônicas no mesmo ritmo da publicação – uma vez por semana. Em geral tenho três ou quatro crônicas de reserva, de temas mais gerais ou literários, e vou escrevendo, sempre que posso, sobre temas do dia.

E de onde costumam sair os temas de suas crônicas? O noticiário é uma boa fonte?

Minhas crônicas são mais literárias que jornalísticas, embora o jornalismo seja fonte indispensável. Preciso lembrar que sou um cronista novato – nunca escrevi crônicas antes. Assino minha coluna na Gazeta há apenas quatro meses. Fui saindo da literatura para a crônica – uma passagem que não é fácil.

Os temas “miúdos” do cotidiano, tratados de maneira leve, são os que mais se ajustam à crônica?

Cada cronista, uma sentença. Não há fórmulas nesse gênero. Sim, os temas do cotidiano, tratados com leveza, dão o tom da crônica clássica, digamos assim. Mas há grande margem de liberdade.

Os seus temas costumam ser únicos e bem definidos ou podem ser vários e sofrer variações durante a escrita?

O tema é sempre único – em poucas linhas, não há muita dispersão possível. Mas o texto é lapidado muitas vezes.

Você escreveria de maneira idêntica se o jornal fosse outro?

A crônica tem a ver com o jornal diário – qualquer que fosse ele, o texto seria o mesmo.

A crônica causa uma ruptura em meio às páginas do jornal? Isso a afastaria do jornalismo?

A crônica é uma espécie de “respiro” no jornal – o leitor de certa forma descansa do noticiário objetivo. Mas ela nunca se afasta muito do jornalismo.

Que reação você espera do seu leitor ao ler uma crônica sua em meio às notícias de um jornal?

Que haja empatia com o texto. Aliás, diferentemente da literatura, o leitor é, objetivamente, uma figura importantíssima na elaboração do texto. Você pensa nele de uma forma que não existe na literatura, pelo menos para mim.

O que aconteceria com suas crônicas se fossem reunidas em livro?

Nunca pensei nisso. Mas um livro de crônicas tem de ser fiel ao que promete: deve conter crônicas, tais como saíram no jornal.

Henrique Fendrich

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